Pouco menos de dois anos após a última passagem pelo Brasil, o Iron Maiden retornou a São Paulo para duas apresentações com ingressos esgotados. Diferentemente da turnê de 2024, que contava com canções do disco “Senjutsu” (2021), a atual é um “prato cheio” para os fãs da “Donzela de Ferro”.
“Run For Your Lives World Tour” celebra os 50 anos de existência do Iron Maiden, com músicas do primeiro álbum – “Iron Maiden” (1980) – até apenas “Fear Of The Dark” (1992), o nono de estúdio. Somente “No Prayer For The Dying” ficou de fora do repertório, mas os demais discos são festejados nessa turnê, que é uma verdadeira viagem no tempo.
Com um legado imensurável, o Iron Maiden certamente desperta boas memórias à sua legião de fãs com a escolha de só tocar composições dos citados álbuns de estúdio. Aquele primeiro disco comprado, uma amizade surgida a partir do gosto pela banda, a lembrança de quando ouviu uma determinada música, momentos que vêm à memória de cada um dos presentes à apresentação da banda no domingo.
Em formato teatral, dessa vez o foco foi total na qualidade das projeções nos telões, que fazem referência a cada uma das músicas executadas pela banda, aliadas à performance de Bruce, que canta “Hallowed Be Thy Name” de dentro de uma cela; empunha as bandeiras do Reino Unido e do Brasil em “The Trooper”; veste-se de piloto de avião em “Aces High”; e usa uma máscara em “Powerslave”.
Desde o princípio da noite, quando um vídeo de abertura relembra o famoso pub “Cart & Horses”, localizado em Stratford e que se tornou a casa do Maiden no começo da carreira, o show é repleto de referências aos 50 anos de história do grupo inglês.
Em pouco mais de duas horas de apresentação, vale ainda o destaque para a longa “Rime of the Ancient Mariner”, canção épica do álbum “Powerslave” (1984), que visualmente se torna ainda mais incrível ao vivo, além de “Phantom of the Opera”, quando o gigante telão digital ao centro do palco mostra cortinas se abrindo, fazendo o público se sentir em um verdadeiro anfiteatro.
Simon Dawson, que substituiu Nicko na bateria da banda, fez sua primeira apresentação no país com o Iron Maiden (já tinha vindo anteriormente com o British Lion, banda paralela de Steve Harris). Apesar de visivelmente não ter a mesma “pegada” do lendário baterista anterior, o que fica mais evidente especialmente em canções como “Killers” e “Iron Maiden”, as aceleradas músicas do começo de carreira, com uma puxada até mesmo para o Punk Rock, Simon cumpriu seu papel.
O domingo ainda ficou marcado pelo segundo turno das eleições presidenciais no Brasil e, embora a banda não tenha feito qualquer referência a esse fato (e nem era esperado algo nesse sentido), Lula acabou reeleito ao som de “The Number Of The Beast” e era visível que muitos fãs acessavam o celular durante o show para verificar como estava o andamento da apuração.
Nem é preciso falar dos demais integrantes do Maiden. Afiadíssimos e ainda com bastante “lenha para queimar”: Steve Harris, o comandante e responsável pelas potentes linhas de baixo da banda; Adrian Smith, com solos incríveis, como em “Seventh Son of a Seventh Son” e “Wasted Years”; Dave Murray, por vezes mais contido, mas igualmente impecável; e o performático, acrobático e sorridente Janick Gers.
Abertura – Alter Bridge
Escolhido para abrir a apresentação do Iron Maiden, o Alter Bridge trouxe ao palco a experiência de uma cultuada banda do Hard Rock mais contemporâneo. Liderado pelo festejado vocalista Myles Kennedy e pelo virtuoso guitarrista Mark Tremonti, coube ao grupo norte-americano a missão de aquecer o público para o Iron Maiden.
Tremonti, ao lado de Brian Marshall (baixo) e Scott Phillips (bateria), integra também o Creed, trazendo no repertório oito canções em cinquenta minutos de show, para um público que já ocupava boa parte do estádio, ainda que meio disperso e preocupado em achar o melhor lugar para ver a atração principal.
Bastante técnico, o grupo se concentrou em executar com precisão faixas como “Addicted to Pain”, “Cry of Achilles”, “Metalingus” e “Blackbird”, bem recepcionada pela plateia, com direito a celulares acesos e fãs cantando. Kennedy acumula as funções de vocalista e guitarrista na maior parte do show e isso acaba por limitar um pouco sua movimentação no palco e sua interação com o público, mas nada que prejudique a apresentação como um todo.
Ainda assim, Myles teve seus momentos para interagir com os presentes, pedindo palmas e agradecendo o Iron Maiden pelo convite. Ao final, pareceu correr para tocar “Isolation”, deixando claro para os companheiros de banda que o tempo urgia e a abertura precisava acabar 20h, para não atrasar a preparação do palco para a “Donzela de Ferro”.
Agradecimentos à Move Concets e Midiorama pela atenção e credenciamento da equipe da rádio.
Banda Iron Maiden:
Bruce Dickinson (vocal)
Dave Murray (guitarra)
Adrian Smith (guitarra)
Janick Gers (guitarra)
Steve Harris (baixo)
Simon Dawson (bateria)
Set list:
The Ides of March
Murders in the Rue Morgue
Wrathchild
Killers
Phantom of the Opera
The Number of the Beast
Infinite Dreams
Powerslave
2 Minutes to Midnight
Rime of the Ancient Mariner
Run to the Hills
Seventh Son of a Seventh Son
The Trooper
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden
Bis
Aces High
Fear of the Dark
Wasted Years
