O metal tomou conta do Rock in Rio em 5 de setembro, mesmo com a data chegando sem ingressos esgotados. A chuva apareceu e desapareceu durante boa parte da tarde, mas não chegou a atrapalhar o clima do festival. A Malvada colocou o Palco Sunset em movimento antes de o Sepultura assumir o Palco Mundo para uma das apresentações mais simbólicas de sua história no festival.
Em sua última passagem pelo Rock in Rio, dentro da turnê Celebrating Life Through Death, o Sepultura entregou um show pesado e à altura da importância daquele momento. Mais do que uma apresentação, havia ali uma sensação clara de despedida. Depois de tantas participações e tantos anos de história com o festival, a banda encerrou esse capítulo na Cidade do Rock deixando uma marca que dificilmente será apagada.
Poppy também teve uma noite importante. Depois de passar pelo Knotfest, em 2024, e de voltar ao Brasil em 2025 para abrir os shows do Linkin Park, ela já não chegava à Cidade do Rock como uma artista completamente desconhecida do público brasileiro. Sua mistura de metal, eletrônico e elementos pop continua sendo difícil de colocar em uma única categoria, e justamente por isso o show no Sunset funcionou tão bem. A impressão é de que Poppy vem deixando de ser uma novidade por aqui para construir, aos poucos, seu próprio espaço.
No Palco Mundo, o Bring Me The Horizon mostrou novamente por que chegou a esse tamanho. O telão teve papel importante durante toda a apresentação, com imagens, mensagens e transições acompanhando as músicas sem transformar o espetáculo em uma disputa entre banda e produção. Tudo parecia estar no lugar certo, e o resultado foi um show grande sem parecer exagerado.
O Bad Omens foi outro dos grandes destaques do dia. A banda manteve uma apresentação intensa do começo ao fim, enquanto Noah Sebastian alternava vocais limpos, momentos mais contidos e passagens agressivas com bastante segurança. É uma combinação que funciona especialmente bem ao vivo, e a resposta do público deixou claro o quanto a banda cresceu desde suas primeiras passagens pelo Brasil.
Já o Avenged Sevenfold encerrou a noite sem comprometer, mas também sem causar o mesmo impacto. O repertório funcionou, a execução foi segura e o público acompanhou, mas faltou aquela sensação de que algo especial estava acontecendo naquele palco. Em alguns momentos, tudo pareceu previsível demais para uma banda que ocupava o principal horário da noite.
No fim, o dia ficou marcado principalmente pela despedida do Sepultura, pela dimensão que o Bring Me The Horizon alcançou e pela força do Bad Omens. E, entre tantos shows, foram justamente essas apresentações que deixaram as lembranças mais fortes de uma noite que teve o metal como protagonista.
