Despedidas não são fáceis e geralmente vêm carregadas do sentimento de partida de alguém ou algo muito querido. No último sábado, foi a vez do público brasileiro dar adeus aos shows do Megadeth no país, uma das maiores lendas do Thrash Metal mundial e integrante do denominado “Big Four”.
Anunciada como derradeira turnê da banda pela América Latina, a “This Was Our Life Tour” passou por São Paulo, em um Espaço Unimed lotado e com ingressos esgotados com antecedência.
Ao invés dos fãs lamentarem essa última oportunidade de ver ao vivo Dave Mustaine e cia, a tristeza ficou de lado e deu lugar a uma catarse coletiva, em noventa minutos de entrega total da banda e do público em prol do aproveitamento máximo do show.
Clássicos absolutos como “Hanger 18”, “Tornado of Souls” e “Holy Wars… the Punishment Due” enlouqueceram a plateia que se dividia entre cantar, pular, tocar “air guitar” ou entrar em uma das grandes rodas abertas na pista.
“Sweating Bullets” foi cantada pelos fãs a plenos pulmões antes mesmo de Mustaine ao microfone, sem contar as muitas vezes que o coro com o nome da banda foi gritado, além do “Ole, Ole, Ole, Ole, Mustaine, Mustaine” e a adaptação criada na Argentina para o refrão de “Symphony of Destruction”.
No campo das surpresas da noite, dois foram os momentos: “Ride The Lightning”, música que Mustaine contribuiu na criação dos riffs e na composição quando ainda fazia parte do Metallica, entrou no repertório também do show de São Paulo (foi tocada antes na Colômbia e Argentina); e “The Conjuring”, faixa do disco “Peace Sells… But Who’s Buying?” (1986), que andou fora dos shows por alguns anos no passado e apareceu para “debutar” nesta turnê justamente na capital paulista.
O vocalista e guitarrista saudou seu público diversas vezes ao longo da apresentação e em um dado momento destacou o fato do disco lançado em janeiro deste ano, intitulado apenas de “Megadeth”, ter alcançado o número das paradas americanas, reforçando a importância disto para a cena metal em geral nos dias atuais. Aliás, deste álbum, a excelente “Tipping Point” abriu o show e foi uma das três escolhidas para execução ao vivo, valendo mencionar a performance impecável de James, Teemu e Dirk já desde o início.
É fato que ficaram de fora músicas tradicionalmente tocadas pela banda, como a balada “A Tout le Monde” e “Angry Again”, para citar apenas alguns exemplos. Nada que tenha atrapalhado a noite de despedida. De ponto negativo somente o calor no local, pois o sistema de ventilação pareceu não funcionar adequadamente e não deu conta do grande público presente.
Enfrentando sérios problemas de saúde — especialmente limitações nas mãos, coluna e pescoço, decorrentes de décadas de estúdios e turnês — Dave Mustaine decidiu se despedir enquanto ainda consegue entregar performances ao vivo em alto nível. Aos fãs, restou celebrar intensamente cada instante desse último capítulo ao lado de seu ídolo.
Ainda que turnês de despedidas no Rock e no Heavy Metal fiquem sempre “sob suspeita”, como a história nos conta, cabe a nós acreditar e lamentar que não veremos o Megadeth no palco novamente no Brasil. Por isso, nosso muito obrigado, Dave Mustaine.
Agradecimentos a Catto Comunicação (Denise e Simone) e à Mercury Concerts pela atenção e credenciamento da equipe da rádio.
Banda:
Dave Mustaine – vocal, guitarra
James LoMenzo – baixo
Teemu Mäntysaari – guitarra
Dirk Verbeuren – bateria
Setlist:
Tipping Point
The Conjuring
Hangar 18
She-Wolf
Sweating Bullets
I Don’t Care
Dread and the Fugitive Mind
Wake Up Dead
In My Darkest Hour
Hook in Mouth
Let There Be Shred
Symphony of Destruction
Tornado of Souls
Mechanix
Ride the Lightning (Metallica)
Peace Sells
Holy Wars… the Punishment Due
