O último sábado foi dia de mais uma edição do tradicional festival Monsters of Rock, que reúne bandas nacionais e internacionais em São Paulo desde 1994, quando ocorreu a primeira de suas, agora, nove edições.
Desde 2015 tem sido sempre no mês de abril que o Monsters of Rock marca presença na capital paulista, com atrações de grande importância e relevância para o Rock e o Heavy Metal mundial.
Assim como nas últimas duas edições, novamente o estádio Allianz Parque foi escolhido para receber sete bandas internacionais, incluindo dois headliners estreantes: o Lynyrd Skynyrd e o Guns N’ Roses.
Como bem destacou o apresentador norte-americano Eddie Trunk, em entrevista à rádio na véspera do festival, o Monsters of Rock conseguiu unir a força de bandas como o citado Guns N’ Roses e o sexagenário Lynyrd Skynyrd com novos nomes do Hard Rock, trazendo a emoção de rever grandes ídolos e a curiosidade por novidades.
Com shows marcados a partir das 11:30h, o evento contou com apresentação de Trunk e de Walcir Chalas (Woodstock Rock Store) e o público foi chegando aos poucos para tomar conta do estádio, em um dia de muito calor. A equipe da Kiss FM esteve por lá e você confere a reportagem completa e a galeria de fotos das atrações da edição.
Período da tarde: Jayler, Dirty Honey, Yngwie Malmsteen, Halestorm e Extreme
Com a missão de abrir o festival, bastou o Jayler subir ao palco para se perceber logo nos primeiros segundos a forte influência do Rock setentista na sonoridade da banda inglesa, formada em 2022, a mais jovem da edição.
Tendo “bebido na fonte” de nomes como Led Zeppelin, sua mais evidente influência, o Jayler mostrou que soube buscar uma respeitada e reconhecida inspiração musical quando se trata de criação de identidade visual e sonora. Com um EP lançado e um álbum por vir (“Voices Unheard”), com lançamento previsto para maio, o Jayler aproveitou para divulgar suas canções, como “Over The Mountain” e “The Rinsk”, ambas em primeira mão para o público brasileiro.
Trazendo renovação à cena musical, ainda que fortemente inspirado em bandas do passado, o Jayler se mostra como uma das promessas do Rock britânico e pareceu agradar quem já estava presente no Allianz Parque ainda pela manhã, sendo tratado com muito respeito e boa receptividade.
Outra banda considerada “novata” que também se apresentou no sábado foi a californiana Dirty Honey, formada em 2017 e igualmente com influências do Hard Rock dos anos 70, já com dois álbuns lançados.
Com forte presença de palco, o vocalista Marc LaBelle agradeceu a oportunidade de tocar ao lado de outros “monstros” do Rock e foi ao encontro do público durante a execução de “Tied Up”, canção que pode ser considerada uma mistura de Black Crowes, Aerosmith e The Rolling Stones.
É dessa mescla de influências que o som do Dirty Honey é feito, com destaque para a ótima “When I’m Gone”, com um riff de guitarra que toca o ouvinte, “California Dreamin`” e “Gypsy”, excelentes escolhas para um repertório de show, além da inédita “Lights Out”.
Foi sem dúvida mais uma atração que pareceu agradar a plateia que já ocupava boa parte do estádio, “caindo nas graças” dos brasileiros, que certamente darão mais atenção à banda norte-americana daqui em diante.
Já no início da tarde a sonoridade setentista e o juventude das referidas bandas daria lugar ao lendário guitarrista sueco de nome incomum, que se tornou conhecido mundialmente por seu talento e virtuosismo no comando do instrumento de seis cordas: Yngwie Malmsteen.
Com mais de vinte álbuns de estúdio lançados e uma carreira calcada na fusão da música clássica ao Heavy Metal, Malmsteen se apresentou por uma hora, executando canções (ou parte delas), em meio à sua tradicional “fritação” de guitarra, colocando-se como centro das atenções, em frente a uma parede de amplificadores da marca Marshall (ainda que somente alguns deles realmente estivessem ligados).
O trio que o acompanha se posiciona à margem do revolucionário guitarrista, que optou mesmo por explorar notas musicais em uma velocidade incrível, chegando a cantar algumas canções como “Rentless Fury” e até mesmo um cover de “Smoke on the Water” (Deep Purple), momento em que o público pôde participar um pouco mais do show.
É inegável que uma apresentação como a de Malmsteen tem mais apelo para quem realmente é fã do trabalho do músico e não fica perfeitamente encaixada em um festival de dia inteiro. Mesmo assim pareceu funcionar bem para os admiradores do guitarrista que, aliás, mostrou-se sorridente, bastante feliz e à vontade em sua segunda participação no Monsters of Rock (Yngwie já havia tocado na edição de 2015).
Se por um lado nomes como o de Malmsteen possam não agradar a totalidade de fãs presentes a um festival, o Halestorm deixou uma imagem exatamente oposta: até quem não conhecia a banda ou não a acompanha com tanto afinco, pareceu se curvar ao talento do grupo americano prestes a completar 30 anos de estrada.
As canções “I Miss The Misery”, “Love Bites (So Do I)” e “Freak Like Me” são exemplos de composições que parecem ter sido escritas para festivais e soam muito bem ao vivo. Soma-se a isso a performance acima da média da vocalista Lzzy Hale, que canta de forma visceral, como simpatia e carisma. Quem não a conhecia certamente se rendeu à vocalista de sorriso fácil e voz potente.
Como bem indica o título da música que fechou o show do Halestorm no Monsters of Rock – “I Gave You Everything” (em tradução livre, “Eu te dei tudo”), a banda realmente se entregou de corpo e alma na tarde de sábado e todo o esforço foi reconhecido pelos entusiasmados aplausos do público.
A última atração do período da tarde é um dos nomes do Hard Rock que gera certa desconfiança por parte de fãs do gênero: o Extreme. Ainda que subestimado por alguns, a bem da verdade é que a banda segue muito afiada e extremamente entrosada e afiada no palco, trazendo para deleite dos fãs clássicos do passado mesclados com canções de seu disco mais recente, o ótimo e muito elogiado pela crítica especializada, “Six” (2023).
Nem a chuva que deu as caras por pouco tempo no início da apresentação do Extreme foi capaz de atrapalhar a empolgação do público e dos músicos no palco. Começando com “It (‘s a Monster)” e “Decadence Dance”, ambas do disco de maior sucesso da banda, “Pornograffitti” (1989), era “jogo ganho” desde o princípio.
O vocalista Gary Cherone nem parece ter a idade que tem, movimentando-se a todo o instante e com capacidade de cantar com maestria os sucessos que gravou há quase 40 anos. O guitarrista português Nuno Bettencourt interagiu bastante com a plateia, tendo a facilidade da língua portuguesa para se comunicar, além de provar porque é um dos principais nomes da guitarra no Hard Rock, com direito ainda a incluir no repertório a música “Play With Me”, que fez muitas crianças e adultos viverem o sonho de fazer parte de uma banda virtual no jogo de videogame Guitar Hero.
A “cozinha” fica a cargo de Pat Badger (baixo) e Kevin Figueiredo (bateria), que contribuem para a mistura sonora de Rock, Funk e Metal que caracteriza o Extreme, com destaque para a performance da banda ao vivo para “Get The Funk Out” e as pesadas “RISE” e “#REBEL”, do trabalho mais novo, citado acima.
É claro que um dos pontos mais altos do festival foi o momento de “More Than Words”, balada tocada em formato “banquinho, voz e violão” e que é o grande sucesso comercial do Extreme, cantada em uníssono pelos fãs.
Atrações da noite: Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses
Lindo e emocionante. Assim pode ser definido o show dos americanos do Lynyrd Skynyrd, verdadeira lenda do Southern Rock, que embalou os fãs com um palco repleto de luzes coloridas que brilharam com o anoitecer.
Os dois gigantes telões instalados pela produção do evento foram essenciais para uma experiência completa da plateia, mesmo para quem estava mais longe. Atualmente com nove integrantes na formação atual, o Lynyrd Skynyrd não tem mais membros originais e fundadores na banda, mas carrega consigo o legado de toda uma história.
Sucessos do calibre de “Sweet Home Alabama”, uma das músicas mais conhecidas globalmente, fizeram o público cantar, vibrar, aplaudir e chorar. “Simple Man”, “Saturday Night Special”, “Tuesday’s Gone” (dedicada a Gary Rossington) e “Free Bird”, que fechou de forma apoteótica a apresentação do grupo, são provas de que a escolha do Lynyrd Skynyrd para o festival foi mais do que certeira.
Aliás, foi durante a execução justamente de “Free Bird” que a imagem de Ronnie Van Zant, irmão do atual vocalista Johnny Van Zant, apareceu no telão, ao lado dos nomes de todos os falecidos ex-membros da banda, com uma vela acesa em homenagem a cada um.
Pontualmente às 20:30h, a outrora “banda mais perigosa do mundo” entrou em cena: o Guns N’ Roses. Escalada como principal nome da noite, Axl Rose e cia retornaram a São Paulo poucos meses depois da última vinda ao Brasil, em outubro de 2025, quando inclusive o grupo foi anunciado como headliner do Monsters of Rock.
Era chegada a hora de deixar o cansaço de lado para apreciar as canções que marcam gerações de fãs de Hard Rock ao redor do mundo e especialmente no Brasil, onde a banda sempre foi venerada, desde sua primeira passagem pelo país, em 1991, no Rock In Rio 2.
Em pouco mais de duas horas e meia, o Guns N’ Roses provou que ainda é capaz de entregar um show poderoso, repleto de clássicos, animações nos telões, luzes e muito movimento no palco.
Em meio a músicas como “Rocket Queen”, “Mr. Brownstone”, “Civil War” e “It’s So Easy”, a banda ainda incluiu aquelas lançadas mais recentemente – “Atlas” e “Nothin’”. Não são exatamente faixas que empolgam o público, mas foi algo de diferente e novo em relação à última apresentação de outubro, nesse mesmo Allianz Parque.
Se você chegou até aqui esperando ler críticas à voz de Axl Rose, não as encontrará. É verdade que o vocalista não consegue cantar como antigamente, isso é um fato. Algumas canções, como “Welcome to the Jungle”, que se mostra sempre uma escolha certa para abrir os shows, e “You Could Be Mine”, por exemplo, são grandes desafios para o momento atual de Axl, mas ao mesmo tempo, este redator prefere valorizar a alegria que é poder ainda ver uma banda como Guns N’ Roses na ativa e em turnê.
Fato também é que enquanto Axl ainda tiver gás para se apresentar ao vivo, haverá fãs e estádios lotados para vê-lo ao vivo, especialmente ao lado dos inigualáveis Slash e Duff, este inclusive responsável por uma grande contribuição nos vocais de apoio durante toda a apresentação.
Depois de quase doze horas de shows, mais um Monsters of Rock foi encerrado, deixando já aquela sensação de saudade e a pergunta de quando será e quais bandas virão para a próxima edição.
Agradecimentos à Mercury Concerts e Catto Comunicação (Denise e Simone) pela atenção e credenciamento da equipe da rádio. Fotos do Guns N’ Roses cedidas pela própria banda.
Abaixo os setlists dos headliners Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses – os demais você pode conferir em setlist.fm.
Setlist Lynyrd Skynyrd
Workin’ for MCA
What’s Your Name
That Smell
I Need You
Gimme Back My Bullets
Saturday Night Special
Down South Jukin’
Still Unbroken
The Needle and the Spoon
Tuesday’s Gone
Simple Man
Gimme Three Steps
Call Me The Breeze [J. J. Cale]
Red White & Blue (Love It Or Leave) — trecho
Sweet Home Alabama
Bis
Free Bird
Setlist Guns N’ Roses
Welcome to the Jungle
Slither [Velvet Revolver]
It’s So Easy
Live and Let Die [Wings]
Mr. Brownstone
Bad Obsession
Rocket Queen
Perhaps
Dead Horse
Double Talkin’ Jive
Nothin’
You Could Be Mine
Civil War
Junior’s Eyes (Black Sabbath)
Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan)
New Rose (The Damned – Duff nos vocais)
Atlas
Solo – Slash
Sweet Child o’ Mine
Estranged
Bad Apples
November Rain
Nightrain
Paradise City
