Bangers Open Air – Dia 01

25/04/2026
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Memorial da América Latina
Texto por Otávio Augusto Juliano – Instagram @showsbyotavio

Fotos por Leandro Anhelli – Instagram @anhelli1980 e Rogério Talarico – Instagram @rogeriotalarico

4ª Edição – segunda com a nova identidade

 

No texto que escrevi sobre a edição passada do festival, em cobertura também para a rádio Kiss FM, o destaque inicial foi para o fato do Bangers Open Air se tratar de um verdadeiro encontro de amigos e fãs de Heavy Metal. Mais um ano se passou e essa definição continua mais válida do que nunca, afinal novamente a produção do evento entregou uma noite histórica para os apreciadores de chamada música pesada.

 

Ainda que tenha contado com uma “Pré-Party” oficial na sexta-feira, na Audio, o festival foi mesmo programado para apenas dois dias – sábado e domingo (em 2025 foram três dias de shows).

 

Contando com mais de 40 atrações nacionais e internacionais, a edição de 2026 manteve o alto padrão: estrutura do nível de festivais europeus, com diversos palcos, opções de alimentação, lojas e muitas ativações distribuídas pelo Memorial da América Latina, local escolhido para receber o evento, desde quando ainda era chamado de Summer Breeze Brasil.

 

Com forte presença feminina no line up, mais de um terço das atrações da edição de 2026 contou com mulheres na formação, ocupando o posto de vocalistas, guitarristas, baixistas e bateristas. Além disso, outro diferencial do Bangers Open Air 2026 foi justamente um dos headliners: pela primeira vez uma banda brasileira fechou uma noite do festival, sendo algo bastante especial para os fãs. O Angra reuniu membros da formação atual e ex-membros para uma celebração dos 35 anos de carreira, em um show formatado especialmente para o evento.

 

A edição de 2026 foi ainda acompanhada de perto por um dos cofundadores do Wacken Open Air, Thomas Jensen, que esteve presente nos bastidores do festival, gerando expectativas para o futuro, principalmente porque pela primeira vez o Brasil recebeu a “Party On Wacken”, que globalmente celebrou as mais de três décadas do tradicional festival alemão com eventos ao redor do mundo.

 

Shows simultâneos

Assim como nos outros anos, apresentações em pelo menos três dos quatro palcos do festival ocorreram de forma simultânea, impedindo a presença da equipe de reportagem da Kiss FM em todos os shows.

 

Por essa razão, importante a ressalva inicial de que o presente texto não cobre todas as apresentações do Bangers Open Air, valendo-se apenas de alguns destaques dentre os numerosos shows dos dois dias de evento.

 

Adicionalmente, na conta oficial do Instagram da Kiss FM (@kissfm92.5), é possível encontrar fotos e vídeos publicados quase que concomitantemente aos shows, ainda que também não de 100% do que ocorreu nos dois dias de festival.

 

Mais uma vez o Sol teve um papel relevante nos dois dias e hidratação e bonés eram quase que obrigatórios, em meio ao calor que tomou conta do local. Opção com o conforto adicional de bebidas e comidas à vontade foi oferecida ao público que adquiriu ingressos com acesso ao Lounge.

 

A programação de sábado começou com um dos principais nomes do Thrash Metal nacional, o Korzus, apresentando-se ao vivo com sua nova formação, que agora conta com Jean Patton (ex-Project46) e Jessica Falchi (ex-Crypta) nas guitarras. Tendo lançado recentemente um novo single, “No Light Within”, essa e outras clássicas canções da banda, como “Correria”, “Discipline of Hate” e “Truth” fizeram a alegria dos fãs que chegaram cedo ao evento.

 

Parte do público optou por atravessar a passarela para acompanhar a banda Lucifer, liderada pela alemã Johanna Sadonis, vocalista que hipnotiza sua plateia com uma performance focada na combinação de música e visual setentista, em uma mistura sonora de Hard Rock, Doom e Heavy Metal tradicional.

 

Com constantes mudanças de formação, Johanna segue firme no propósito da banda, tratando nas composições de temas como terror, luto, morte, misticismo, ocultimo e uma pitada de romantismo sombrio. Johanna dedicou até mesmo a canção “Slow Dance in a Crypt” a um ex-namorado e fez um ritual de “purificação” do ar, com fumaça e encenação durante a execução da música.

 

Sob um Sol forte, a banda Lucifer foi muito bem recebida e aplaudida, apresentando ao público ainda uma versão para “Goin’ Blind”, do Kiss, além do seu sucesso “Fallen Angel”, em uma hora de um ritual quase místico.

 

No mesmo minuto que o show do Lucifer terminava no Sun Stage, o Evergrey tomava conta de um dos palcos principais, para sua segunda apresentação em São Paulo na mesma semana, já que havia feito um show no Manifesto Bar dias antes.

 

Formado na “fértil” Suécia, o Evergrey entregou uma hora completa de Metal progressivo para deleite dos fãs que já enfrentavam o início da tarde ensolarado do sábado. Com um vindouro álbum de estúdio, os suecos embalaram sua fiel plateia ao som de sucessos mais antigos como “King of Errors” e aproveitaram para executar ao vivo o novo single “Architects Of A New Weave”, que dá nome ao disco que será lançado em junho próximo.

 

A sonoridade densa e carregada de melancolia do grupo não é para qualquer mero apreciador de música em geral, mas sim para fãs que apreciam tais características na música. Vale o destaque para o baterista Simon Sandnes que posiciona sua bateria de forma lateral em relação à plateia e mostra toda sua técnica em canções como “Call Out The Dark”.

 

Ainda para o início da tarde as opções eram nomes do Thrash Metal nacional, como Torture Squad e Violator, além de Feuerschwanz, um dos nomes do Folk Metal alemão, e o quarteto ucraniano Jinjer, cuja apresentação foi acompanhada mais de perto por este repórter.

 

Com presença marcante da vocalista Tatiana Shmayluk, que alterna entre vocais guturais extremos e linhas mais melódicas, o Jinjer fez um show explosivo e muito barulhento no festival, com direito ao sucesso “Pisces” e composições mais novas, do disco “Duél”.

 

Ao final da apresentação dos ucranianos, ainda foi possível acompanhar um dos ótimos nomes do Hard Rock brasileiro, o Marenna, único representante deste gênero musical no dia. Tocando no Waves Stage (no teatro), em formato sentado, os fãs que acompanharam o show puderam descansar um pouco as pernas ao som das excelentes canções “How Long” e “Getting Higher”.

 

A noite do primeiro dia do Bangers Open Air ainda reservava aos fãs atrações de peso. O Black Label Society foi, sem dúvida, um dos principais destaques do festival, apresentando-se ao anoitecer.

 

Abrindo com “Funeral Bell”, Zakk Wylde entrou em cena com o jogo já ganho. Fiel escudeiro de Ozzy Osbourne, o guitarrista se consagrou como um dos maiores nomes do instrumento de seis cordas e tem uma sólida carreira com sua banda Black Label Society, além de outros projetos e participações (Zakk Sabbath e Pantera).

 

Empunhando sua guitarra ao centro do palco, ver e ouvir Wylde ao vivo é um deleite para fãs de Rock e Metal, especialmente em uma noite cheia de homenagens: imagens de Ozzy tomaram conta dos telões enquanto a banda executava “Ozzy’s Song”, composição dedicada ao falecido vocalista e que faz parte do recente álbum “Engines of Demolition” (2026); e os também falecidos irmãos Vinnie Paul e Dimebag Darrell (Pantera) foram lembrados durante “In This River”.

 

“No More Tears” (Ozzy Osbourne) foi um dos pontos de maior destaque da noite e a plateia logo em seguida entoou gritos para reverenciar Osbourne. Aliás, aqui vale um comentário: é impressionante como o timbre da voz de Zakk se assemelha cada vez mais ao de Ozzy, gerando um sentimento de emoção e nostalgia ainda maior nos fãs.

 

Em uma plataforma elevada, Wylde foi à frente do palco para saudar o público e celebrar o momento de reverência a Ozzy. De kilt e com troca constante de guitarras (uma mais bonita que a outra, é preciso salientar), Zakk apresentou repertório que abrangeu parte de sua discografia, incluindo a clássica “Suicide Messiah”, com megafone para o refrão, “Stillborn” e a ótima e recente “Name In Blood”.

 

Enquanto Zakk e banda deixavam o Hot Stage, era hora de se preparar para ver o In Flames no Ice Stage, palco localizado ao lado. Outra opção era caminhar até o Sun Stage para assistir à divertida apresentação do Tankard.

 

Com o cancelamento da participação do Twisted Sister no festival, devido a questões de saúde do vocalista Dee Snider, o Arch Enemy acabou escalado para o fechamento da noite de sábado, com explosões, chamas e muita fumaça.

 

Introduzindo sua nova cantora, Lauren Hart, o Arch Enemy “passeou” por músicas que ajudaram a consolidar o nome da banda de Death Metal melódico no mundo: foram dezesseis canções tocadas com brutalidade e técnica apuradas, valendo o destaque para “Nemesis”, “War Eternal” e mais antiga “Ravenous”.

 

Ainda que prejudicada pelo baixo volume do seu microfone em meio ao peso dos instrumentos dos demais músicos, Lauren pareceu à vontade em seu novo posto e foi recebida de forma calorosa pelo público, com coro de “Ole, Ole, Ole, Ole, Lauren”, ficando visivelmente emocionada com tamanho carinho dos fãs.

 

Bolas infláveis gigantes foram jogadas à plateia para um encerramento grandioso da noite em um dos palcos principais do Bangers Open Air, com o telão central trazendo uma mensagem da banda em português: “Tamo junto Brasil!”.

 

Finalizando o sábado, para quem ainda tinha disposição, a banda Overdose se apresentou até 22:40h no Waves Stage, mas para aqueles que optaram em ir embora, era hora de descansar e se recuperar para o domingo.

 

Agradecimentos à produção do evento e à Agência Taga pela atenção e credenciamento de toda a equipe da rádio.

 

Bandas – Sábado 25/04

Palco “Ice Stage”

12h00 – 12h50: Korzus

14h10 – 15h10: Feuerschwanz

16h30 – 17h40: Killswitch Engage

19h15 – 20h30: In Flames

 

Palco “Hot Stage”

13h00 – 14h00: Evergrey

15h20 – 16h20: Jinjer

17h50 – 19h05: Black Label Society

20h40 – 21h55: Arch Enemy

 

Palco “Sun Stage”

12h00 – 13h00: Lucifer

14h00 – 15h00: Violator

15h40 – 16h40: Torture Squad

17h20 – 18h20: Crypta

19h00 – 20h15: Tankard

20h55 – 21h55: Onslaught

 

Palco “Waves Stage”

12h00 – 12h50: School of Rock

13h20 – 14h00: Sujeira

14h30 – 15h20: Engineered Society Project

15h50 – 16h40: Marenna

17h10 – 18h10: Ozzy Tribute

18h40 – 19h40: Seven Spires

20h10 – 21h10: Hangar

21h40 – 22h40: Overdose

 

Fonte: Redação Kiss FM

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