Foram quatro dias intensos de um calor verdadeiramente infernal, com os termômetros batendo na casa dos 40 graus, mas embalados pelo mais puro rock ‘n’ roll do clássico às vertentes mais extremas da atualidade. A rádio Kiss FM 92.5 de São Paulo marcou presença com uma cobertura especialíssima da 19ª edição do Hellfest Open Air Festival, um dos principais e mais respeitados festivais de rock e metal do mundo.
Morando na França há quatro anos, esta jornalista acompanhou os quatro dias do Hellfest diretamente de Clisson, levando aos ouvintes e seguidores da Kiss FM informações exclusivas, entrevistas, bastidores e curiosidades de um dos maiores festivais do planeta.
O charme de Clisson e as medidas extremas contra o calor
Realizado de 18 a 21 de junho na charmosa Clisson cidade francesa cercada por castelos e vinhedos que possui pouco mais de 7 mil habitantes, o Hellfest transforma completamente a região ao receber cerca de 300 mil camisetas pretas vindas de diferentes cantos do planeta.
Nesta edição, o clima escaldante exigiu medidas severas de segurança. No domingo, o ápice do calor fez a organização tomar uma decisão para evitar a desidratação extrema e a intoxicação do público: foi proibida a venda de pints (os copos grandes de cerveja), permitindo apenas a comercialização em copos menores e incentivando o consumo massivo de água.
Para aliviar o cansaço, o Hellfest contou com excelentes áreas para se refrescar, como cascatas artificiais e um espaço equipado com brumisateurs (borrifadores de água). Um dos lugares mais concorridos foi a famosa e arborizada floresta do reino do Muscadet. Tradicionalmente o ponto mais fresco do mapa, dava para sentir o choque térmico na pele ao sair dela: bastava pisar nas áreas sem árvores para ser atingido por um bafo quente implacável.
Toda essa engrenagem impressionou quem pisou no festival pela primeira vez, como o brasileiro Shalon Azevedo, que viajou para Clisson e ficou encantado com a experiência:
“Vim especialmente para ver o Limp Bizkit e não imaginava que encontraria essa estrutura. Toda a decoração do festival é linda, é um universo à parte. Com certeza irei voltar nas próximas edições”, destacou o fã.
O fervo começou dois dias antes mesmo da abertura oficial dos portões, com o Hellfest Le Off. Realizado gratuitamente no estacionamento de um hipermercado local, o “esquenta” reuniu 31 bandas em dois dias de festa, incluindo uma tarde inteira dedicada especialmente aos pequenos roqueiros.
Já na programação oficial, mais de 180 bandas passaram pelos 6 palcos principais. Gigantes como o Deep Purple e o Iron Maiden entregaram performances históricas o Maiden, inclusive, fez um showzaço de mais de duas horas, onde Bruce Dickinson provou que sua voz e presença de palco continuam impecáveis, além de surpreender ao conversar em francês praticamente o show inteiro.
O Megadeth também fez uma apresentação matadora sob o comando cirúrgico de Dave Mustaine. Já os suecos do The Hives, vestindo seus tradicionais e quentíssimos ternos sob o sol escaldante, esbanjaram simpatia e brincaram com a multidão: “Vocês estão com calor? Nós também estamos!”, mantendo a energia no talo e incendiando o público.
Homenagem emocionante ao Príncipe das Trevas
Logo no primeiro dia, o público foi surpreendido com uma estátua gigante de 7 metros em homenagem ao lendário Príncipe das Trevas, posicionada na entrada da Hellcity. A obra impressionante foi assinada pelo renomado escultor francês Philippe Pasqua. Infelizmente, por problemas de saúde, Sharon Osbourne não pôde comparecer à inauguração do monumento.
À noite, logo após o show de Alice Cooper, o telão principal exibiu um vídeo emocionante contando a trajetória do Madman. Na sequência, uma belíssima queima de fogos iluminou o céu de Clisson para celebrar o eterno e saudoso Ozzy Osbourne, falecido em julho de 2025.
Lado fã e a união do metal brasileiro nos bastidores
O Brasil marcou uma presença histórica com quatro bandas nacionais de peso: o Sepultura em sua aclamada turnê de despedida, além das meninas da Crypta, o peso do Thy Light e a energia de Karen Dió. A única nota triste foi o cancelamento do projeto Cavalera Conspiracy devido a um imprevisto logístico, mas o orgulho verde e amarelo continuou gigante, atraindo grandes públicos e muitas bandeiras brasileiras nas pistas.
Nos bastidores, o clima de camaradagem e paixão pela música chamou a atenção. Logo após fazer um show avassalador com a Crypta, a vocalista Fernanda Lira deixou a área dos artistas, abriu mão de qualquer mordomia e foi vista correndo para o meio da pista comum junto com o público, pulando e cantando como fã para assistir ao show do Helloween e de outras bandas que ela tanto admira.
Coletiva de Imprensa: Ativismo ambiental com o Savage Lands
Esta jornalista também acompanhou de perto a coletiva de imprensa do Savage Lands, uma iniciativa de ativismo ambiental focada na preservação de florestas através da música pesada. O projeto foi fundado pelo músico e ativista Sylvain Demercastel junto com Dirk Verbeuren, baterista do Megadeth, e conta com o apoio de músicos engajados de peso mundial, como Alissa White-Gluz, (Blue Medusa) vocalista do Arch Enemy. Graças aos esforços da organização, este ano foram plantadas 1.500 mudas de árvores na região do Hellfest, com a meta ousada de plantar mais 10 mil no próximo ano.
Durante a coletiva, conversei com Dirk Verbeuren sobre a parceria do projeto com o guitarrista brasileiro Andreas Kisser, com quem compôs uma música dedicada à causa ecológica. Ao perguntar sobre o futuro da colaboração, Dirk me deu um spoiler exclusivo de bastidor. Ele revelou que os dois continuam criando coisas fantásticas juntos e disparou com um sorriso: “Se você ficar de olho na frente do palco principal hoje, vai ver algo especial acontecer”.
E a promessa se cumpriu de forma histórica. Durante o show de despedida do Sepultura, uma verdadeira constelação do metal invadiu o palco. Fernanda Lira (Crypta), Dirk Verbeuren (Megadeth), Alissa White-Gluz (Arch Enemy) e outros grandes nomes se juntaram aos brasileiros em uma jam session inacreditável. Na pista, a reação do público foi de absoluto êxtase, com muitos fãs emocionados e ovacionando o Sepultura pelo legado que deixam no festival.
Entrevista Exclusiva com Derrick Green
Em outra entrevista exclusiva para a Kiss FM, Derrick Green, vocalista do Sepultura (banda que já é de casa e se apresentou quatro vezes no festival), comentou emocionado sobre a despedida em solo francês:
“Esse festival cresceu bastante e se tornou gigante. Fazer esse último show na França, um país apaixonado pela arte, é muito especial. Para mim, o Hellfest é o melhor festival da Europa. Temos muitas histórias fortes aqui”, destacou Derrick.
O impacto do metal brasileiro foi tão grande que até os locais se curvaram. Os integrantes da banda francesa Hümanimal, que também tocou no evento, rasgaram elogios à nossa cena e destacaram o peso, o profissionalismo e a qualidade técnica de Sepultura, Crypta e Thy Light.
Edição histórica de 20 anos em 2027: 10 palcos e 300 bandas!
O grande ápice do encerramento aconteceu logo após o último acorde do show do The Offspring no Mainstage 1. Em um anúncio monumental nos telões, o Hellfest confirmou que Ben Barbaud, cofundador do evento, vai realizar uma edição histórica para celebrar os 20 anos do festival em 2027, mudando completamente de patamar.
O festival ganhará uma megaestrutura inédita, saltando de 6 para 10 grandes palcos e recebendo mais de 300 bandas! Além dos dois tradicionais Mainstages, cada um dos palcos conceituais ganhará um “palco irmão”: o tradicional Warzone ganhará o palco Riot; o Valley receberá o Abyss; o Altar ganhará o reforço do Force; e o Temple será acompanhado pelo palco Crypt.
Se você quer viver essa experiência, anote na agenda: no dia 07 de julho, começa a venda oficial de ingressos para a edição de 2027. Os portões virtuais abrem exatamente às 13h (horário de Paris). Prepare o clique rápido, pois os ingressos costumam se esgotar em questão de poucos minutos!
Kiss FM na França: O carinho que atravessa oceanos
E o alcance da cobertura ficou evidente em um episódio especial no último dia do festival. Um grupo de brasileiros procurou a equipe da Kiss FM e contou que estava tentando nos encontrar há três dias pelos corredores do evento. O encontro rendeu fotos emocionantes com a bandeira do Brasil, registros marcantes para as redes sociais da emissora e reforçou o forte sentimento de pertencimento e união da comunidade brasileira presente em Clisson.
A cobertura completa com fotos, vídeos e entrevistas você confere no Instagram: @kissfm92.5.
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