1985, 1996, 2009 e, finalmente, o retorno agora em 2026! Sim, o AC/DC, banda australiana que dispensa maiores apresentações, voltou ao Brasil depois de quase dezessete anos!
Uma das turnês mais esperadas pelos brasileiros e que já vinha gerando expectativa e boatos desde 2024, quando o AC/DC resolveu excursionar com a “Power Up Tour – PWP/UP”, para divulgar o então álbum lançado em 2020 – “Power Up”.
Bastaram alguns segundos de “If You Want Blood (You’ve Got It)”, a primeira canção da noite, para o estádio entrar instantaneamente em modo “catarse coletiva”. O fanatismo daqueles que amam o bom e velho Rock N´ Roll é algo difícil de explicar em palavras. É puro sentimento e gera emoções que só os apreciadores de bandas e músicas como as produzidas pelo AC/DC em cinquenta anos de carreira, entendem.
Mesmo com mudanças forçadas em sua formação, seja pelo diagnóstico de demência e posterior falecimento do guitarrista Malcolm Young em 2017, seja pelas saídas de Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria), o AC/DC segue firme, especialmente pela presença do incansável e genial Angus Young, guitarrista que é a o “coração” da banda.
Ao lado de Brian Johnson, vocalista que já enfrentou problemas auditivos no passado e está na banda desde 1980, fazendo parte da chamada formação clássica do AC/DC, Angus hoje conta com o apoio do sobrinho Stevie Young na segunda guitarra, de Chris Chaney no baixo e Matt Laug na bateria, ambos ex-membros da banda da canadense Alanis Morissette.
E é com essa formação atual que tudo ainda funciona perfeitamente mesmo diante das restrições que a idade impõe a qualquer ser humano. A energia e a empolgação, especialmente de Angus e Brian, são inigualáveis e altamente contagiantes.
É impossível ficar parado ao som de “Hells Bells”, com direito à descida do gigante sino no centro do palco; de “Whole Lotta Rosie”, quando a figura de Rosie aparece no telão (antigamente a banda se utilizava de uma versão inflável da personagem); ou ainda do clássico absoluto e atemporal “Highway to Hell”, com seu riff mundialmente conhecido.
Dentre os diversos momentos de destaque, vale ainda citar o extenso solo de Angus durante a execução de “Let There Be Rock”, quando o guitarrista é elevado por meio de plataforma central, com direito a chuva de papel picado (nas cores verde e amarelo e personalizados com o logo da banda).
Nem dá para dizer que esse é o principal momento de Angus no show, pois ele domina com maestria o palco durante as mais de duas horas de apresentação, com os olhares do público voltados para esse senhor de 70 anos e muita história na música.
“Jailbreak”, que ficou de fora do repertório do AC/DC por mais de vinte anos, foi escolhida para fazer parte desse primeiro show de São Paulo e agradou os fãs, assim como a potente “T.N.T.” e “For Those About to Rock (We Salute You)”, com tiros de canhão ecoando pelo Morumbis, no fechamento da noite.
Com ingressos esgotados de forma avassaladora, falar de AC/DC ao vivo é muito fácil e vale um daqueles famosos clichês que nós roqueiros tanto usamos: “foi uma aula de Rock N´ Roll”. Foi mesmo. Mais do que isso, foi histórico esse retorno do AC/DC ao Brasil, para aproximadamente 70 mil pessoas, muitas delas com os chifres vermelhos acesos por todo o estádio, tornando tudo ainda mais bonito e memorável.
Até o tempo ajudou e a chuva deu uma trégua na “terra da garoa”, permitindo aos fãs a experiência musical e visual completa de um show do AC/DC, afinal talvez essa seja a última turnê da banda pelas terras brasileiras. Chuva mesmo só a de papel picado, como citada acima no texto.
Obrigado Angus, Brian e banda por manterem o Rock mais vivo do que nunca e por proporcionarem tamanha emoção aos fãs brasileiros. Para que aqueles que apreciam Rock, eu vos saúdo e agradeço a companhia nessa noite histórica de terça-feira na capital paulista. Sábado dia 28/02 e quarta-feira 04/03, o AC/DC retorna ao Morumbis para as derradeiras apresentações da turnê no país.
Mais cedo – The Pretty Reckless
A banda americana liderada pela vocalista e atriz Taylor Momsen foi a responsável pela nada fácil responsabilidade de abrir um dos shows mais esperados pelos brasileiros nos últimos anos.
Com essa difícil missão, Taylor e seus companheiros de banda – Ben Phillips (guitarra), Mark Damon (baixo) e Jamie Perkins (bateria), foram tratados com muito respeito pelos fãs que lá estavam apenas para ver o AC/DC.
Correspondida ao pedir aplausos e nos momentos de interação com a plateia, a vocalista se mostrou feliz em se apresentar no Brasil e até arriscou algumas palavras em português, dirigindo-se às mulheres presentes.
Em quase uma hora de um show não tão empolgante, mas muito competente, o The Pretty Reckless passou por algumas das canções que fazem parte dos álbuns de estúdio da banda, como “Witches Burn”, “Only Love Can Save Me Now”, a pesada “Going to Hell” e o single “For I Am Death”, tocado pela primeira vez ao vivo.
Agradecimentos à Live Nation Brasil e Motisuki PR pela atenção e credenciamento. Fotos gentilmente cedidas pela produção do evento – The Pretty Reckless – por Camila Cara @camilafcara e AC/DC – por M. Rossi @mrossifoto.
Banda:
Brian Johnson – vocal
Angus Young – guitarra solo
Stevie Young – guitarra base
Chris Chaney – baixo
Matt Laug – bateria
Setlist:
If You Want Blood (You’ve Got It)
Back in Black
Demon Fire
Shot Down in Flames
Thunderstruck
Have a Drink on Me
Hells Bells
Shot in the Dark
Stiff Upper Lip
Highway to Hell
Shoot to Thrill
Sin City
Jailbreak
Dirty Deeds Done Dirt Cheap
High Voltage
Riff Raff
You Shook Me All Night Long
Whole Lotta Rosie
Let There Be Rock
Bis
T.N.T.
For Those About to Rock (We Salute You)
