Antes de encerrar oficialmente sua marcante passagem pelo Sepultura, o baterista Eloy Casagrande revelou que chegou a ensaiar músicas da banda com seu substituto, Greyson Nekrutman, em um gesto de apoio que até então não havia sido tornado público.
A revelação foi feita durante uma entrevista à revista Modern Drummer e trouxe novos detalhes sobre os bastidores da transição que marcou o fim de um dos ciclos mais importantes da história recente do metal brasileiro.
Segundo Eloy, o encontro aconteceu em São Paulo, em um momento delicado para a banda, que se preparava para cumprir uma agenda intensa de shows logo após o anúncio de sua saída. Com pouco tempo para se adaptar ao repertório extenso e tecnicamente exigente do Sepultura, Greyson Nekrutman contou com a ajuda direta do ex-baterista.
“Greyson veio ao meu estúdio em São Paulo quando entrou para a banda para fazer alguns ensaios e tivemos uma ótima conversa. Ele tinha apenas duas ou três semanas para aprender todas as músicas”, contou Eloy, em transcrição divulgada pelo Music Radar.
Casagrande explicou que ofereceu conselhos práticos sobre a execução das faixas clássicas do grupo, especialmente em relação aos andamentos.
“Eu disse coisas como: ‘Costumávamos tocar essa música mais rápido’ ou ‘Tenha cuidado com esta, porque costumávamos tocá-la mais devagar’”, revelou.
Apesar da orientação, Eloy fez questão de ressaltar que o encontro não teve caráter didático no sentido tradicional. Para ele, Greyson já possui capacidade técnica mais do que suficiente para assumir o posto.
“Eu não estava ensinando a ele como tocar as músicas, porque ele consegue tocar o que quiser. Ele é um baterista incrível”, afirmou.
O músico brasileiro também destacou a afinidade pessoal e artística com Nekrutman, afirmando que já acompanhava o trabalho do jovem baterista antes mesmo de sua entrada no Sepultura.
“Quando eu o vejo tocar, me lembro de mim mesmo naquela idade. Quando entrei para o Sepultura, eu tinha a idade dele”, comentou.
Eloy revelou ainda que costumava assistir aos vídeos publicados por Greyson nas redes sociais, especialmente de performances voltadas ao jazz e solos de bateria, demonstrando admiração pelo talento e pela versatilidade do novo integrante.
A declaração evidencia que a transição entre os bateristas aconteceu de forma respeitosa e colaborativa, reforçando a relação de camaradagem entre músicos de diferentes gerações e mostrando um lado pouco conhecido dos bastidores do Sepultura.
Por: Lucas Falcão
