O cenário do Heavy Metal costuma ser altamente protetor e exigente quanto à sua própria autenticidade. Por isso, quando William Shatner, o eterno Capitão Kirk de Star Trek, anuncia aos 94 anos que está gravando um disco de metal, a primeira reação da comunidade é um misto de ceticismo e curiosidade.
Descrito por sua equipe como uma “extravagância de heavy metal”, o álbum — ainda sem título — promete covers de Black Sabbath, Judas Priest e Iron Maiden, além de faixas originais. Mas o que realmente ancora o projeto na realidade e o afasta de ser apenas uma paródia é o calibre dos músicos convidados.
Credibilidade Através das Parcerias
Shatner foi inteligente na curadoria de seu “exército” sonoro. O disco contará com colaborações de peso histórico indiscutível:
- Zakk Wylde (Black Label Society, Ozzy Osbourne)
- Henry Rollins (ex-Black Flag)
- Ritchie Blackmore (ex-Deep Purple, Rainbow)
- Wayne Kramer (o falecido ícone do MC5)
- Edgar Froese (Tangerine Dream)
A presença de figuras viscerais como Rollins e Wylde empresta ao projeto a agressividade necessária para que as experimentações spoken-word teatrais de Shatner encontrem um terreno fértil. O ator e Wylde, inclusive, já possuem um histórico de colaboração no disco Seeking Major Tom (2011), mostrando que a química entre os dois vai além de uma simples jogada de marketing.
A Visão de Shatner: Caos e Honestidade
A justificativa de Shatner para abraçar o gênero é, no mínimo, poética e demonstra um entendimento surpreendente do que o estilo representa:
“O metal sempre foi um lugar onde a imaginação se torna barulhenta. Este álbum é uma reunião de forças — cada artista trazendo seu fogo, sua precisão, seu caos. Eu os escolhi porque eles têm algo a dizer e porque o metal exige honestidade.”
O ator complementou afirmando que passou a vida “explorando tanto a realidade quanto a ficção” e que o Heavy Metal é o seu novo passo rumo ao desconhecido.
Excentricidade ou Arte Genuína?
Historicamente, as incursões musicais de Shatner (como a famosa e infame versão de Rocket Man de Elton John) dividem a crítica. Enquanto alguns enxergam apenas uma ironia pop, outros veem um artista performático que não tem medo do ridículo.
O produtor e músico Billy Sherwood (Yes), que trabalhou com o ator no disco de rock progressivo Ponder The Mystery (2013), resume bem o cenário real: “Ele é apenas um cara incrível, pé no chão e um artista impressionante. Ele é capaz de ir para as Bahamas e se aposentar, mas quer continuar com sua arte.”
Após um recente susto médico no ano passado, a dedicação de Shatner a um projeto tão visceral e barulhento prova que sua vitalidade segue intacta. Resta saber se o álbum será um clássico cult instantâneo ou apenas uma curiosidade excêntrica na vasta discografia do Heavy Metal em 2026.
