O lendário show do Iron Maiden na primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985, não marcou apenas a memória do público brasileiro. De acordo com o baixista e líder do grupo, Steve Harris, o peso e a intensidade daquela performance causaram um impacto profundo nos bastidores, impressionando até mesmo o Queen, principal atração daquela noite histórica.
Em entrevista à revista Classic Rock, Harris compartilhou detalhes de uma conversa que teve com o guitarrista Brian May anos após o evento. “Brian May me disse que o Iron Maiden deixou o Queen apavorado no Rock in Rio 1985”, revelou o baixista. “Pensei: ‘ótimo, fizemos nosso trabalho’. Claro que isso não fez diferença para o Queen, eles continuaram incríveis. Mas é bom causar um certo impacto”.
As bandas de abertura mais difíceis
A conversa também resgatou memórias sobre os artistas de abertura que mais exigiram esforço do Iron Maiden ao longo de sua trajetória. Para o vocalista Bruce Dickinson, o maior desafio ocorreu nos Estados Unidos, em 1988, durante a turnê com o Guns N’ Roses. Enquanto o Maiden promovia o complexo e conceitual Seventh Son Of A Seventh Son, a banda de Axl Rose surfava na explosão mundial de seu disco de estreia, Appetite For Destruction.
“Eles eram cheios de angústia e veneno, enquanto o Iron Maiden era um pouco mais progressivo”, relembrou Dickinson, destacando o contraste de energia que tornava a manutenção do público uma tarefa árdua.
Já Steve Harris apontou os veteranos do southern rock, Blackfoot, como a abertura mais difícil com a qual já lidaram. A parceria ocorreu em 1982, durante a emblemática turnê do álbum The Number Of The Beast. Harris ressaltou que o papel de uma boa banda de abertura é justamente conquistar a plateia e forçar o headliner a trabalhar duro para manter o nível lá em cima.
O baixista reconheceu, no entanto, que o fanatismo da plateia do Iron Maiden costuma ser cruel com quem ousa subir ao palco antes deles. “Às vezes é difícil. Já vi isso algumas vezes e senti pena da banda de abertura. Eles não conseguem conter a empolgação. O público sente o medo no ar”, concluiu Harris.
Por Redação
