O The Black Crowes sempre carregou o DNA do rock clássico dos anos 70 em suas veias, bebendo diretamente da fonte de gigantes como Rolling Stones, Faces e, claro, Led Zeppelin. Mas no dia 13 de junho de 2026, no Forest Hills Stadium – Queens, Nova York. Chris e Rich Robinson resolveram ir além e desenterrar uma das faixas mais repletas de groove e subestimadas do catálogo do Zeppelin. O resultado não foi apenas um cover — foi uma celebração histórica de puro classic rock.
A expectativa para a turnê norte-americana “Southern Hospitality” (co-headlined com a banda Whiskey Myers) já estava alta, mas o público que lotou o icônico estádio em Nova York não esperava ser testemunha de uma verdadeira estreia histórica.
Quando Rich Robinson puxou os primeiros acordes daquele riff hipnótico e arrastado, um calafrio percorreu a espinha dos fãs mais atentos. Não era uma jam ou um improviso passageiro. Era, de fato, a primeira vez que o Black Crowes tocava ‘The Rover’ (clássico do álbum Physical Graffiti, de 1975) ao vivo em toda a sua carreira. O momento traz ainda mais peso quando lembramos que nem o próprio Led Zeppelin chegou a executar a canção inteira em suas turnês (apenas em trechos e soundchecks), e os irmãos Robinson também não a haviam tocado na clássica parceria que fizeram com Jimmy Page na virada do século.
Physical Graffiti é conhecido por seu som denso e a bateria colossal de John Bonham. O Black Crowes entendeu o recado. Com Mark “Muddy” Dutton assumindo o baixo nesta turnê (substituindo Sven Pipien) e Cully Symington na bateria, a cozinha rítmica segurou o groove com precisão cirúrgica. Isso permitiu que Rich Robinson e Nico Bereciartua duelassem nas guitarras, entregando aquele timbre sujo, encorpado e absurdamente fiel aos anos 70. O riff principal de ‘The Rover’, que caminha entre o hard rock e o funk americano, soou pesado e swingado na medida certa.
Cantar Robert Plant nunca é uma tarefa fácil, especialmente em uma música onde as linhas vocais exigem tanto alcance quanto malícia. Chris Robinson, no entanto, parecia em casa. Em vez de tentar emular os agudos estridentes de Plant, ele trouxe sua própria assinatura de soul e blues para a canção. O frontman destilou carisma, comandando o palco com suas danças características e entregando as estrofes com uma crueza e uma urgência impressionantes.
O que se viu no Forest Hills Stadium foi uma mistura de choque inicial e catarse coletiva. ‘The Rover’ não é a escolha óbvia quando se pensa em covers de Led Zeppelin (como ‘Whole Lotta Love’ ou ‘Rock and Roll’), e foi exatamente essa ousadia que tornou o momento tão especial. É uma música considerada “lado B” para o grande público, mas um hino sagrado para os puristas do rock. A resposta foi imediata: milhares de cabeças balançando em sincronia e uma ovação ensurdecedora assim que o último acorde cessou.
Veredito: Em Nova York, o Black Crowes provou mais uma vez por que é uma das poucas bandas de sua geração capazes de carregar a tocha do rock de arena setentista sem soar caricata. A versão de ‘The Rover’ foi um tributo respeitoso, absurdamente bem executado e cheio de alma. Um presente histórico e memorável para quem estava presente naquela noite de junho.
Por Redação
