.

Jinjer: Tatiana Shmayluk critica rótulo “female-fronted band” e desabafa sobre comparações

Foto: Lina Glasir

A vocalista do Jinjer, Tatiana Shmayluk, voltou a criticar o uso do termo “female-fronted band”, afirmando que está cansada de ser colocada no mesmo pacote que outras artistas apenas por ser mulher — mesmo quando não há qualquer semelhança musical ou artística.

Em entrevista à nova edição da Metal Hammer, Tatiana foi direta ao comentar o rótulo:
 “Infelizmente, ainda estamos passando por essa besteira hoje em dia.”

Segundo a cantora, o problema não está apenas na nomenclatura, mas nas comparações forçadas, muitas vezes com artistas que não influenciaram seu trabalho e, segundo ela, nem sempre possuem o mesmo nível técnico.

“Ainda somos comparados a artistas que não têm absolutamente nada a ver conosco. E nem sempre são artistas boas ou talentosas. Isso me ofende profundamente”, afirmou. “Tem gente que não canta, não acerta as notas, e mesmo assim eu escuto: ‘Ela é melhor que você, faz melhor que você, tem mais personalidade’. Pelo amor de Deus, me deixa em paz.”

Tatiana revelou que, no início da carreira, suas principais referências vocais vinham do groove metal, especialmente Randy Blythe, do Lamb Of God — mas, em vez disso, acabou sendo constantemente comparada a outras vocalistas mulheres do metal extremo.

“Sou comparada o tempo todo à Angela Gossow”, disse, citando a ex-vocalista do Arch Enemy. “Nunca quis soar como ela. Já me disseram: ‘Por que você não pinta o cabelo? Por que não pinta de azul como a Alissa [White-Gluz]?’ Mas por quê? Eu realmente não entendo.”

Sexismo ainda presente no metal

Essa não é a primeira vez que Tatiana aborda o tema do sexismo dentro da cena metal. Em entrevista à própria Metal Hammer, em 2022, a cantora demonstrou surpresa com o fato de que ainda exista espanto quando uma mulher executa vocais extremos.

“Quando eu tinha 18 anos, sem internet, eu já sabia que existia uma banda chamada Holy Moses, com uma mulher nos vocais fazendo coisas insanas”, relembrou. “Talvez isso impressione a geração mais nova, mas a geração mais antiga já conhecia.”

Apesar da irritação, Tatiana também reconhece que há um lado positivo na descoberta tardia:
 “É sempre um bom momento para descobrir coisas novas. É ótimo que mulheres com vocais agressivos sejam vistas como um fenômeno.”

Por: Lucas Falcão

Confira Também
Receba Atualizações
Suas informações são tratadas com a máxima confidencialidade e segurança.

Conheça mais Notícias