O lendário vocalista do TESTAMENT, Chuck Billy, voltou a refletir sobre um dos capítulos mais curiosos e hipotéticos da história do heavy metal: sua audição para assumir os vocais do SEPULTURA logo após a tumultuada saída de Max Cavalera, em 1996. Em uma nova entrevista ao podcast “Mostly Yelling”, o cantor revelou que a oportunidade bateu na trave por uma questão de cronograma. “Sou um grande crente de que as coisas acontecem por um motivo, e eu me atrasei. Entreguei minha demo tarde demais. Eles gostaram, mas também disseram: ‘Puxa, cara, obrigado por enviar, mas já escolhemos o Derrick [Green]'”, relembrou Billy, explicando que a decisão dos brasileiros já estava tomada quando seu material finalmente chegou.
O interesse inusitado pelo posto ocorreu em um momento de enorme instabilidade para o Testament. A banda havia acabado de cumprir seu contrato de seis álbuns com a Atlantic Records e se via como uma “agente livre” no mercado, lidando com mudanças na formação enquanto preparava o disco “Demonic” (1997). “Eu queria segurança. Para mim, encontrar uma banda que tinha algo estabelecido era o que eu achava que queria”, confessou o vocalista. Para a audição, Chuck gravou versões de clássicos como “Refuse/Resist” e “Territory”, além de uma versão focada em vocais mais guturais para a então inédita faixa “Choke”. Sob a ótica do Sepultura, o guitarrista Andreas Kisser explicou em entrevistas passadas que o trabalho de Billy ficou excelente, mas a banda procurava por sangue novo para trilhar um caminho diferente, e não um ícone já estabelecido como o líder do Testament.
Olhando para trás, Chuck Billy é categórico ao afirmar que o desfecho foi o melhor possível para todos os envolvidos. Caso tivesse entrado no Sepultura, o histórico renascimento do Testament com obras-primas como “The Gathering” e a posterior reunião da formação clássica jamais teriam acontecido. Além disso, o músico pondera sobre como a drástica mudança de vida teria afetado sua luta pessoal contra o câncer, diagnosticado em 2001. “E se eu tivesse entrado na banda e ficasse doente? Teria sido uma coisa completamente diferente”, refletiu.
As memórias dessa fase incerta, bem como o mergulho profundo em suas batalhas e vitórias, estarão presentes na aguardada autobiografia do cantor, intitulada “Holding My Breath: The Two Testaments Of Chuck Billy”, que será lançada no próximo dia 10 de novembro pela Permuted Press. Coescrito com Dave Erickson, o livro é dividido de forma criativa em “Antigo Testamento” — abordando o nascimento explosivo da cena thrash da Bay Area e o caos glorioso do Testament — e “Novo Testamento”, focado em seu diagnóstico de câncer aos 38 anos, sua herança nativo-americana, curandeiros espirituais e o amor incondicional da comunidade do metal. A obra ainda conta com prefácio de Rob Halford (JUDAS PRIEST) e posfácio de Randy Blythe (LAMB OF GOD).
Confira a demo:
Por Lucas Falcão
