As lendas do thrash metal californiano, SLAYER, celebraram o 40º aniversário de seu clássico e brutal terceiro álbum, “Reign In Blood”, de forma apoteótica. Em seu primeiro concerto de 2026, realizado na última sexta-feira (4 de setembro) no Mystic Lake Amphitheater, em Minnesota (EUA), a banda executou o antológico disco na íntegra. A noite pesada contou ainda com a abertura dos grupos DOWN, SUICIDAL TENDENCIES e HATEBREED.
O repertório de 23 músicas foi dividido em duas partes esmagadoras. A primeira metade entregou pedradas absolutas como “South Of Heaven”, “War Ensemble”, “Dead Skin Mask” e “Hell Awaits”. Em seguida, o grupo mergulhou na execução sequencial de “Reign In Blood”. O momento histórico marcou o resgate de faixas que não eram tocadas ao vivo há cerca de uma década, como “Piece By Piece”, “Necrophobic”, “Criminally Insane” e “Epidemic” (ausentes dos setlists desde 2014), além de “Altar Of Sacrifice” (que não era tocada desde 2015).
A formação atual mantém o mesmo esquadrão responsável pela turnê de despedida de 2019 e pelos recentes shows de retorno em 2024 e 2025: Tom Araya (baixo e voz), Kerry King (guitarra), Gary Holt (guitarra) e Paul Bostaph (bateria). Após a estreia explosiva nos Estados Unidos, o grupo seguirá com datas pela América do Norte antes de desembarcar na América Latina no final do ano, com passagem confirmadíssima pelo Brasil: o Slayer se apresentará no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 17 de dezembro.
O Legado de ‘Reign In Blood’
Lançado originalmente em outubro de 1986, “Reign In Blood” marcou a primeira colaboração da banda com o produtor Rick Rubin (pela Def Jam Recordings). A obra é até hoje descrita por público e crítica como um divisor de águas e o epítome do metal extremo.
Apesar de seu status lendário, o lançamento do disco sofreu atrasos na época devido à temática polêmica de suas letras e arte gráfica. A icônica faixa de abertura, “Angel Of Death”, que descreve os horrores dos experimentos humanos de Josef Mengele em Auschwitz, rendeu à banda infundadas acusações de simpatia ao nazismo. Na ocasião, o saudoso guitarrista Jeff Hanneman defendeu a obra enfaticamente, justificando a frieza letal da letra: “Não há um ‘Heil Hitler’ ou ‘brancos no poder’, é um documentário. Cresçam, pessoas”, esbravejou.
Relembrando a importância do disco em uma entrevista concedida em 2021, o ex-baterista Dave Lombardo resumiu perfeitamente o impacto da obra: “Eu vejo aquele álbum como uma obra-prima. É brilhante. O fogo e a energia que ele tem, eu não ouço em outros discos. […] Será para sempre a personificação da música thrash e um dos maiores discos de metal já feitos.”
Por Lucas Falcão
