O QUEENSRŸCHE está preparando terreno para um retorno às suas raízes mais clássicas. Durante uma recente participação no programa “Trunk Nation With Eddie Trunk”, da SiriusXM, o vocalista Todd La Torre e o guitarrista Michael Wilton trouxeram atualizações empolgantes sobre as sessões de composição do sucessor de “Digital Noise Alliance” (2022). Segundo a dupla, o material inédito — que marcará o último lançamento do grupo pela gravadora Century Media — soa nitidamente como o Queensrÿche da velha guarda, remetendo diretamente ao EP de estreia, além dos clássicos álbuns “The Warning” (1984) e “Rage For Order” (1986).
Para alcançar essa sonoridade, a banda adotou uma abordagem meticulosa e dividida. La Torre desmistificou a visão romântica de que grandes discos nascem na estrada, classificando a ideia de compor durante as exaustivas turnês de 100 shows por ano como uma “besteira”. A estratégia atual consiste em enviar os músicos em pequenos grupos para sessões intensivas no estúdio do produtor Zeuss (Chris Harris). Wilton e o também guitarrista Mike Stone têm trabalhado arduamente na criação dos riffs e arranjos iniciais. Segundo o vocalista, evitar colocar todos os membros em uma mesma sala ao mesmo tempo impede que o processo fique “emperrado” pelo excesso de ideias simultâneas. Para garantir o foco total na obra, a banda até mesmo instruiu seus agentes a reduzirem as marcações de novos shows no momento.
No aspecto lírico e temático, os fãs podem esperar um trabalho denso e interligado, mas desvinculado da sombra de sua obra mais famosa. La Torre confirmou que o próximo lançamento será um álbum conceitual, mas fez questão de afastar qualquer relação com a aclamada saga “Operation: Mindcrime”. Em vez disso, o disco explorará um tema abordado no primeiríssimo registro da banda, mas que nunca mais foi mencionado em sua história. O cantor explicou que a narrativa não será linear, funcionando mais como a montagem de um filme, e deixou claro que o enredo criado é vasto o suficiente para, possivelmente, se estender por mais de um álbum no futuro.
A atual fase reflete uma estabilidade criativa e profissional duramente conquistada pelo grupo. Wilton destacou que a atual encarnação da banda funciona com uma coesão impecável, operando como uma verdadeira “cola” criativa, calcada na construção de riffs clássicos como faziam na juventude. O clima interno pacificado também é um fator crucial, especialmente após a resolução amigável, fora dos tribunais, da longa disputa legal com o baterista original Scott Rockenfield. Com Casey Grillo consolidado nas baquetas há quase uma década e o baixista Eddie Jackson contribuindo com sua forte bagagem melódica, o Queensrÿche promete entregar um registro à altura de seu imponente legado.
Por Lucas Falcão
