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Livro que mostra a ascensão do Sisters of Mercy e a cena pós-punk dos anos 80 chega pela primeira vez ao Brasil, pela editora Belas Letras

Foto: Belas Letras

No dia 1º de julho, a editora Belas Letras lança no Brasil Pinte meu nome em preto e dourado: a ascensão do Sisters of Mercy, livro que reconstrói em detalhes a trajetória de uma das bandas mais influentes e enigmáticas da música alternativa. A publicação acompanha os primeiros anos do grupo britânico desde o surgimento em Leeds, no início dos anos 1980, até o lançamento de seu primeiro álbum e a consolidação de uma estética que ajudaria a redefinir os caminhos do pós-punk e do rock gótico.​

Muito além de uma cronologia tradicional, o livro mergulha no ambiente que deu origem ao Sisters of Mercy: uma Leeds marcada por tensão social, decadência urbana e uma cena musical efervescente que serviu de terreno fértil para experiências sonoras e visuais radicais. Baseado em dezenas de entrevistas com integrantes e pessoas próximas ao grupo, o autor Mark Andrews constrói o relato mais abrangente já publicado sobre a formação que transformou um projeto improvisado em uma referência cult que atravessa gerações.​

A história começa antes mesmo de o nome Sisters of Mercy existir oficialmente. O livro retorna a 1979 e acompanha os encontros entre jovens músicos da cena local que orbitavam clubes e espaços independentes da cidade. Entre eles estava Andrew Eldritch, figura que se tornaria o centro criativo e estético da banda. Ao lado de colaboradores que entravam e saíam rapidamente de cena, o grupo foi tomando forma em meio a limitações técnicas, instrumentos emprestados, poucos recursos e uma visão artística muito maior do que qualquer expectativa comercial.

Um dos momentos mais curiosos retratados na obra é justamente o nascimento do nome da banda. Inspirado na canção “Sisters of Mercy”, de Leonard Cohen, o título carregava desde o início a ambiguidade que definiria o grupo: algo entre o espiritual e o profano, entre o ritual e a ironia. Como Eldritch definiria mais tarde, o nome representava um equilíbrio perfeito entre devoção e prostituição — uma metáfora para o próprio rock.

O livro também revela como o universo visual do Sisters foi sendo construído paralelamente à música. Surgem aqui as origens da Merciful Release, selo criado pela própria banda, assim como o desenvolvimento do icônico símbolo gráfico que combinava elementos anatômicos retirados do Gray’s Anatomy com uma estrela de cinco pontas. A identidade visual, concebida com referências que iam do horror ao design punk, tornou-se tão importante quanto o som na consolidação do imaginário da banda.

Por  Juliana Carpinelli (Big Rock N’ Roll)

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