Para retornar aos palcos, o lendário KISS precisará da autorização formal de uma força externa: a Pophouse. Em abril de 2024, a empresa sueca de entretenimento adquiriu o catálogo, a marca e todas as propriedades intelectuais da banda de hard rock, o que mudou drasticamente as regras do jogo para qualquer futura reunião.
Em uma nova entrevista concedida à rádio 94.7 WCSX, de Detroit, o baixista e vocalista Gene Simmons ofereceu detalhes reveladores sobre a negociação. O acordo comercial milionário transferiu os direitos totais da icônica maquiagem, das músicas e das publicações do Kiss para os novos parceiros corporativos. “Isso também significa que o Kiss não pode se apresentar ao vivo sem a permissão da Pophouse, porque eles são donos da maquiagem e de tudo mais”, confirmou Simmons. No entanto, o futuro da marca continuará bastante agitado: os planos em andamento incluem um filme biográfico (cujo elenco já está em fase de seleção), séries animadas, a construção de um parque temático e o aguardado espetáculo com avatares digitais.
Essa complexa teia de direitos autorais é o principal motivo pelo qual Simmons tem se mantido ativo nas turnês com a sua própria banda solo (a Gene Simmons Band), mesmo após o encerramento oficial da jornada do Kiss no Madison Square Garden, no fim de 2023. O músico confessou que jamais considerou a ideia de abandonar as estradas definitivamente. “Eu não queria ficar longe do palco. É a coisa mais divertida que posso imaginar vestindo minhas calças. Acontece uma mágica ali”, desabafou o baixista, comparando a privação da experiência ao ato de um pintor que cria uma obra-prima incrível apenas para mantê-la trancada na própria sala de estar, sem compartilhá-la com o mundo.
O Império da Pophouse
Estimada em US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão na cotação da época), a venda dos ativos do Kiss ocorreu com o intuito de expandir, rentabilizar e preservar globalmente a imagem da banda para as futuras gerações. A Pophouse, que foi cofundada pelo músico Björn Ulvaeus (ABBA), consolidou seu nome e relevância no mercado internacional após a criação do inovador espetáculo “ABBA Voyage”.
A companhia vem expandindo agressivamente o seu império no setor. Após a sua primeira grande aquisição, que envolveu o catálogo musical da cantora Cyndi Lauper, a empresa também concluiu recentemente, em julho de 2026, uma grandiosa parceria estratégica com os gigantes do IRON MAIDEN. O recente acordo garantiu à empresa a aquisição de 50% dos direitos de nome, imagem e publicações do grupo britânico (incluindo o uso do célebre mascote Eddie), com o objetivo de financiar atrações imersivas como o “Infinite Dreams Museum” e outras futuras inciativas cinematográficas.
Por Lucas Falcão
