O legado inestimável deixado por Paul Di’Anno (falecido em outubro de 2024, aos 66 anos) foi recentemente exaltado por outro ex-vocalista do IRON MAIDEN, Blaze Bayley. Em uma nova entrevista concedida à Metal OBS, Bayley refletiu sobre o impacto histórico de Di’Anno, as turnês que realizaram juntos e o peso das despedidas inesperadas.
A profunda amizade e o senso de humor do saudoso cantor foram relembrados por Blaze, que citou as extensas excursões realizadas por ambos em lugares como Rússia, Escandinávia, Austrália e Nova Zelândia. A potência vocal de Di’Anno foi reverenciada pelo colega, que destacou que, nos dias em que estava devidamente descansado, sua voz soava de forma avassaladora nos palcos, superando até mesmo a sua performance nos primeiros discos de estúdio.
O choque da perda foi intensificado por um encontro casual ocorrido poucas semanas antes do falecimento. Foi relatado por Blaze que, durante uma rápida saudação em Wolverhampton, a promessa mútua de que passariam mais tempo juntos na próxima ocasião foi feita. “Duas semanas depois, ele faleceu. Essa é uma lição de vida de que você nunca sabe quando será a última vez que verá alguém”, lamentou Bayley.
Ao avaliar o peso histórico de cada integrante, o cantor foi categórico ao posicionar Di’Anno em um patamar isolado dentro da mitologia da Donzela de Ferro. “Na minha cabeça, apenas Paul é a lenda. Depois dele, nós apenas carregamos a tocha do Iron Maiden. Bruce [Dickinson] pode se tornar uma lenda, mas a lenda verdadeira do Iron Maiden pertence ao Paul naqueles dois primeiros discos. Porque eles quebraram o molde, não apenas do heavy metal, mas da música inteira.” O caráter seminal, subversivo e atemporal do álbum homônimo (1980) e de “Killers” (1981) foi enfatizado pelo vocalista.
O luto já havia sido abordado por Bayley em ocasiões anteriores. Em uma entrevista concedida em junho do ano passado ao The Metal Voice, a fragilidade da saúde de Di’Anno — que vinha se apresentando em cadeiras de rodas há anos — foi lembrada por ele. Na mesma conversa, um doloroso lamento sobre um sonho que jamais poderá se concretizar foi compartilhado: a esperança de que, um dia, um show reunindo Blaze, Paul e Bruce Dickinson juntos no mesmo palco pudesse ser realizado. Para honrar a memória de seu amigo, o clássico “Wrathchild” foi permanentemente incorporado por Bayley nos repertórios de seus shows solo.
A notícia da morte de Di’Anno, que foi o frontman original da banda entre 1978 e 1981, gerou na época manifestações emocionadas da própria banda e de seu fundador, o baixista Steve Harris, que descreveu a imensa contribuição de Paul como o alicerce fundamental para a jornada de cinco décadas trilhada pelo grupo. Bayley, por sua vez, comandou os microfones da banda inglesa entre 1994 e 1999 (registrando os álbuns “The X Factor” e “Virtual XI”) e segue ativo com sua prolífica carreira solo, tendo também superado graves problemas de saúde recentes ao passar por uma cirurgia de ponte de safena quádrupla em 2023.
Por Lucas Falcão
