No ano em que ‘Out of Time’ completa 35 anos, álbum que transformou definitivamente o R.E.M. em um fenômeno global, a editora Belas Letras lança no Brasil, no dia 1º de julho, O Nome desta Banda é R.E.M., biografia escrita pelo premiado autor Peter Ames Carlin. A obra revisita a trajetória de uma das bandas mais influentes das últimas décadas e reconstrói como quatro amigos universitários de Athens, na Geórgia, criaram um dos repertórios mais importantes da história do rock alternativo. Com acesso a bastidores, entrevistas e décadas de história cultural, Carlin acompanha o caminho percorrido por Michael Stipe, Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry desde os primeiros ensaios em festas universitárias até o topo das paradas mundiais.
Um dos episódios recuperados pelo livro mostra justamente o nascimento do nome R.E.M. Diante da necessidade prática de imprimir cartazes para um show, os integrantes começaram uma série de sugestões improvisadas e provocativas até que Michael Stipe abriu um dicionário aleatoriamente e encontrou as letras R.E.M. — abreviação de rapid eye movement, fase do sono associada aos sonhos. Mais tarde, Stipe insistiria que não escolheu o nome pelo significado, mas por ter gostado especialmente dos pontos que abreviavam a palavra e pela sensação de abertura que ele transmitia: um nome que poderia significar tudo ou nada ao mesmo tempo.
Nos primeiros anos, a banda construiu sua reputação quase artesanalmente. Após gravar suas primeiras músicas, produziu fitas cassete decoradas à mão e enviou cópias para casas de show, jornalistas e produtores pelo país com a instrução provocativa “Não abra”. Foi nesse momento que chamou atenção de Jonny Hibbert, ex-músico que acabaria financiando o primeiro lançamento oficial do grupo. Desde cedo, o R.E.M. desenvolveu uma relação pouco convencional com a indústria — sempre priorizando autonomia criativa acima de ambições comerciais imediatas.
Essa postura se consolidou durante a parceria com a gravadora I.R.S., que ofereceu algo raro para a época: liberdade total sobre repertório, produção e identidade visual. Para Michael Stipe, vindo das artes visuais, controlar a apresentação estética da banda era tão importante quanto compor músicas. O resultado foi uma sequência de discos que ajudou a redefinir os limites entre o underground e o mainstream, começando com Murmur, álbum cuja capa inspirada na paisagem do sul dos Estados Unidos se tornaria uma imagem emblemática dos anos 1980.
Por Juliana Carpinelli (Big Rock N’ Roll)
