A crise interna no Cradle of Filth ganhou novos capítulos após as declarações de Zoë Marie Federoff e seu marido, o guitarrista Marek “Ashok” Smerda, que anunciaram a saída da banda em meio à turnê latino-americana. Em longos desabafos no Instagram, o casal expôs supostos contratos abusivos, ambiente tóxico e acusações diretas ao management e ao vocalista Dani Filth.
Zoë, que entrou para o grupo em 2022, afirmou que a gestão da banda tentou reter dinheiro referente ao adiantamento do novo álbum The Screaming of the Valkyries (2025), chegando a chamá-la de “câncer” e “peso morto” quando confrontada. A musicista acusou Dani Filth de se omitir diante de práticas abusivas e de impor salários baixos com cláusulas de exclusividade, impedindo que músicos contratados trabalhassem com outras bandas para complementar a renda.
“Estávamos sendo explorados e recebendo menos do que o custo de vida. A atmosfera era tóxica, abusiva e chegou a nos custar a perda da nossa primeira gravidez durante a turnê”, escreveu Zoë.
Contrato polêmico e críticas diretas
A tecladista anexou ao post um contrato que oferecia cerca de 200 libras esterlinas por dia de trabalho, além de 150 libras por viagem e um pagamento anual de apenas 1.000 libras por direitos de imagem. Segundo ela, um advogado classificou o documento como “o contrato mais psicopata já oferecido a um músico de sessão”.
Ashok, que integrou o Cradle desde 2014, confirmou que também deixará a banda no fim da turnê. Em tom mais moderado, afirmou que as condições de trabalho eram “muito esforço por pagamento baixo” e que retirou suas composições do próximo álbum, incluindo a aguardada colaboração com Ed Sheeran, a qual chamou de “palhaçada idiota”.
Reação da banda
O Cradle of Filth ainda não respondeu diretamente às acusações do casal. Em comunicado, Dani Filth apenas confirmou a saída de Zoë, anunciou Kelsey Peters como nova tecladista e assegurou que a turnê The Screaming of the Americas seguirá normalmente pela América Latina e depois pela Europa.
Enquanto isso, as acusações levantadas por Zoë e Ashok reforçam uma longa lista de saídas conturbadas na trajetória da banda britânica, conhecida tanto por sua música extrema quanto pelos conflitos internos.
Por Lucas Falcão
