Blog Rodrigo Branco
03/07/2009
Cê tá pensando que eu sou Loki?

O sucesso é algo aterrador, transforma anônimos em celebridades, medíocres em ‘sábios’, pessoas em deuses! Porém quanto mais alto ele levanta, maior pode ser a queda depois. Fato um.
O Brasil é um país de memória curta, aqui esquecemos rapidamente os absurdos cometidos por autoridades, políticos, que logo voltam ao poder após verdadeiros escândalos. Também esquecemos as tragédias, da mesma forma que os sucessos e qualidades. Fato dois.
As substâncias entorpecentes foram parte intrínseca da revolução cultural nos anos 60, principalmente no Rock’n’Roll, onde deu asas à criatividade já latente de verdadeiros gênios da época. Porém como qualquer tipo de droga, possuem efeitos colaterais perigosos e cobram um alto preço pelas sensações que proporcionam. Fato três.
Assistindo ao documentário Loki – Arnaldo Baptista, estes três fatos batem forte em nossa cara. Arnaldo e os Mutantes foram sem dúvida a banda mais criativa e importante da história do Rock no Brasil, uma das mais importantes em toda música brasileira, não apenas no Rock. Como parte do importante movimento Tropicalista, acrescentaram novos elementos à nossa música. Antes deles nosso Rock era inocente, praticamente versões de músicas estrangeiras, os Mutantes misturaram psicodelia com diversos tipos de instrumentos, ritmos, orquestrações, colagens, experimentalismos, criando uma música original, sem igual para a época. Os Mutantes eram felizes, e Arnaldo amava Rita. Muito...
O sucesso do grupo era questão de tempo, e foi grande, ultrapassou fronteiras. Neste cenário as drogas eram parte fundamental e os Mutantes usavam e abusavam delas. Porém elas começaram a cobrar seu preço, e o outra alegre e espontâneo Arnaldo Baptista foi se tornando uma pessoa distante, soturna... Esta mudança de comportamento, a loucura dos shows, viagens, complicou os problemas de relacionamentos tão comuns em qualquer banda, até que Rita Lee deixou os Mutantes e por conseqüência Arnaldo... Mas Arnaldo ainda amava Rita... Logo ele também deixou os Mutantes, que seguiram com Serginho Baptista a frente, cada vez mais progressivos, virtuosos, porém menos interessantes...
Com o fim do sucesso , e do relacionamento de Rita, Arnaldo conheceu o inferno, sua carreira solo estava longe de repetir a glória de outrora, e pior, a imprensa que antes incensava o gênio, passou a depreciá-lo. Arnaldo perdido, mentalmente abalado foi internado, sofreu um acidente caindo de uma janela (há quem diga que foi tentativa de suicídio...) e entrou em coma...
Ninguém diria que um dia Arnaldo voltaria a frente dos holofotes. Durante muitos anos ele esteve em seu mundo, gravou novos trabalhos, pintou quadros, passou por tratamentos, e enquanto o Brasil ignorava aquele que é um de seus maiores gênios musicais, o mundo descobria Arnaldo e os Mutantes!

Coube ao filho de John Lennon, Sean, a honra de resgatar o orgulho de Arnaldo ao chamá-lo para dividir o palco em seu show por aqui, além de reverenciá-lo pessoalmente. O filho de um dos maiores gênios da música em todos os tempos declarou que Arnaldo e os Mutantes eram melhores que seu pai e os Beatles!
Depois dele foi a vez de Kurt Cobain, sim aquele que muitos lembram como um ícone de música barulhenta e rebeldia adolescente, quando veio ao Brasil em 92, querer conhecer Arnaldo Baptista e os Mutantes, de quem era grande fã. Escreveu uma carta de próprio punho e deixou mensagens gravadas para o mutante.
Foi preciso que o mundo descobrisse a genialidade dos Mutantes para que aqui começasse a surgir interesse pela obra do grupo. Após a turnê de reunião ocorrida em 2006 e o sucesso estrondoso das apresentações na Inglaterra, enfim a Arnaldo teve um pouco do reconhecimento que merece. A realização e o sucesso do documentário Loki vieram para pertetuar a obra deste fantástico músico, compositor, que se nascido e vivido na Inglaterra, ou nos EUA, certamente seria um dos maiores nomes do Rock em todos os tempos!
Muito do que falei aqui e muito mais pode ser visto no documentário, raríssimas imagens de arquivo, entrevistas da época, amigos, parceiros e fãs ilustres falam de Arnaldo e do grupo. Alguns mitos são desvendados e outros continuam um mistério. O fato de Rita Lee não ter aceitado dar sequer um depoimento ao documentário nos deixa a impressão de que muita mágoa restou mesmo passadas mais de três décadas. Ela sempre fez questão de dizer que não saiu dos Mutantes, mas teria sido expulsa pelos irmãos, pois não teria capacidade técnica para acompanhar o novo rumo musical que pretendiam seguir. Já no filme a opinião unânime é de que ela saiu por vontade própria, devido ao desgaste do relacionamento com Arnaldo. A verdade é que ao final do filme a imagem de boa gente de titia Rita não fica assim tão gloriosa, uma vez que ela seguiu em frente com muito sucesso em sua carreira, dando as costas ao velho companheiro que ficou esquecido. Se isto não é verdade, ela deveria ter se manifestado, pois é esta a impressão que tivemos.
Enfim, para quem é fã, o filme emociona, mas o melhor, em minha opinião, é ter a sensação de que Arnaldo está em paz, feliz com o reconhecimento, ainda que tardio.
Não viu ainda o filme? Então corra, porque logo deve sair de cartaz...

18/06/2009
As preliminares de Iggy

No final dos anos 60 ele era um dos maiores junkies do Rock’n’Roll, figura maldita, dono de um comportamento auto-destrutivo, embalado pelos mais potentes entorpecentes da época seu comportamento e performance no palco eram assustadores, causavam medo e repulsa nos mais conversadores e até naqueles que se consideravam doidões. E não é exagero, são famosas as cenas em que aparece com o corpo coberto de sangue, retalhado por cacos de vidro sobre os quais rolava no palco, os quais o próprio algumas vezes usou para se cortar, em uma mistura de violência, loucura e sado-masoquismo musical. Estas eram as anárquicas apresentações dos Stooges e através delas Iggy Pop se tornou uma lenda, e reeditou a rebeldia do Rock que culminaria quase dez anos depois com a explosão do Punk Rock em todo o mundo.
Mas o que pouca gente sabe é que Iggy já foi um garoto culto, de bons costumes, além de ótimo músico. Sim, antes de se juntar aos malucos barra-pesada da região de Detroit, entre eles seus futuros parceiros de banda, o jovem James Newell Osterberg Jr era um bom aluno, não falava palavrões, não bebia, não fumava e sua dedicação à música o levou a se tornar um dos melhores bateristas da região, sendo requisitado por grandes grupos que excursionavam por ali. E ser um dos melhores da região não era pouco, afinal Detroit era a casa da lendária Motown Records e por ali passavam ícones do Jazz, Soul e Blues. A coisa só começou a mudar mesmo quando entrou para os Psychedelic Stooges, largou a bateria e foi para a frente do palco.
Saber disto talvez ajude a entender o novo trabalho de Iggy, Prélimiares. É verdade que quem acompanha o trabalho de Iggy nos últimos 30 anos vem notando a desaceleração, a cada trabalho o velho Iguana mostra um faceta mais introspectiva, sinal da idade, certamente, apesar de algumas recaídas ao velho som sujo e barulhento que o consagrou. Mas desta vez Iggy chutou o balde de vez. Não sem antes avisar, é claro, gentleman que se tornou Sr. Pop evitou um choque maior de seus fãs mais saudosistas ao declarar que estava produzindo um disco de Jazz e Bossa Nova! E para estranhamento geral da nação ele apresentou de fato o tal álbum, estranhíssimo, diga-se de passagem.
Se você está atento às notícias do mundo musical já ouviu falar no tal disco, demorei para escrever(!). A maioria das resenhas se limita a descrever o disco e um o outro crítico mala desceu a lenha. Claro que os fãs ortodoxos de Iggy, e desinformados em geral, irão apedrejá-lo. Eu por outro lado achei o disco ótimo! Pois é, acho que tô ficando velho também...rs
Na verdade Préliminaires é mais que Jazz e Bossa Nova, tem Blues e Rock’n’Roll, lógico, apesar de bem pouco. Além disto mostra um Iggy melancólico e saudosista numa atmosfera de Belle Époque cantando em francês com sua voz gravíssima, como na faixa de abertura do disco, um standart jazzístico antes interpretado por figuras do porte de Edith Piaf, ou fazendo versão em inglês para um clássico de Tom Jobim. Certamente influenciado por Tom Waits, Leonard Cohen, Lou Reed e o amigo David Bowie, por quem vem se guiando desde que este lhe tirou do lixo na década de 70 e lhe devolveu a dignidade produzindo seus primeiros trabalhos solo.
Em uma boa analogia com sua vida, Iggy volta às preliminares, tão fundamentais como o meio e o fim. Ele que começou no mais violento Rock’n’Roll, usando toda a ambiguidade dos termos, viveu (e sobreviveu) todas as mais fortes sensações, agora parte para as preliminares que ficaram faltando. Até porque aos 62, depois de tantos abusos, não dá mais para viver tão intensamente, nem com aquele outro tipo de droga mais recente, e lícita, que levanta até os mais caídos. Se é que você me entende... Até porque a urgência e ansiedade comum à juventude há muito ficaram para trás, agora Iggy quer mais é curtir a vida!
Enfim, Préliminaires é um disco gostoso de se ouvir, calmo, relax, tranqüilo como uma bela tarde de outono, como as que vivemos nos dias atuais, porém com a sensualidade das boas preliminares.

08/06/2009
Mantendo a Fama de Mau!!!

Tô feliz da vida aqui ouvindo o novo trabalho de um pioneiro do Rock'n'Roll! Mas um pioneiro do Rock'n'Roll brasileiro, o lendário Tremendão, 'o nosso amigo'; Erasmo Carlos!
Sim, noticiei aqui que Bob Dylan estava lançando disco novo, Neil Young também, e outras figuras históricas do Rock, como Iggy Pop. Comentei ainda o quanto isto é bom, em um época em que o Rock'n'Roll teoricamente deveria estar morto e enterrado... Porém contrariando qualquer espectativa negativa, ouso dizer que não apenas o Tremendão volta com um ótimo disco, como é melhor que todos os citados acima! Pasmem, mas é verdade, ao passo que os novos discos dos mestres Dylan e Young são apenas bons, o de Iggy diferente, o de Erasmo é ótimo!
O nome da obra não poderia ser mais apropriado, afinal Erasmo andou gravando coisas de gosto bastante duvidoso, Rock'n'Roll! Um nome básico que resume bem o novo trabalho, enquanto o antigo parceiro e irmão camarada anda mais cafona que nunca, recebendo homenagens caretas da vênus platinada, Erasmo quieto em seu canto nos brinda com um disco cheio de referências do melhor do gênero musical mais importante de todos os tempos.
Em canções como Jogo Sujo, Cover, Um Noite Perfeita (Uma Farra no Tempo), Um Beijo é um Tiro, Mar Vermelho, percebe-se pinceladas de Beatles, Creedence, Birds, baladas como Olhar de Mangá, A Mulher é uma Guitarra, Vozes da Solidão, nota-se algo de Dylan, Tom Petty, Johnny Cash, e obviamente do próprio Erasmo, da Jovem Guarda, e grandes nomes da MPB, tais como Chico Buarque, Caetano, Milton Nascimento. Tive a impressão de estar ouvindo algo muito familiar, não por ser repetitivo, mas por trazer a tona as boas sensações de quando se ouve os grandes discos, tão raros nos dias de hoje.
O Tremendão aos 49 anos de carreira e 68 de idade tá cantando mais que nunca, a produção esmerada do disco, as muitas sonoridades diferentes e as ótimas letras, fazem de Rock'n'Roll uma grande surpresa. Afinal se hoje em dia está na moda rasgar a seda para Roberto Carlos, que mais parece uma paródia de si mesmo, Erasmo dá a volta por cima e reafirma sua condição de pai do Rock brasileiro, muito dignamente, se declarando cover de si mesmo, consciente de sua importância e qualidade, quase sempre negligênciadas pela história.
E o melhor de tudo é que você pode conhecer o disco todo, faixa por faixa, na faixa, pelo MySpace, onde aliás o texto de apresentação já diz tudo, nem precisava destas mal traçadas linhas aqui. O excelente texto em questão foi escrito por alguém cujo nome já dá a dimensão da obra a que se refere, uma senhora chamada Rita Lee...
http://www.myspace.com/erasmocarlos
Ah, e detalhe nas fotos ao melhor estilo Johnny Cash! Nosso 'man in black' brasileiro! ;O)
28/05/2009
Show de Calouros!
Preconceito como a própria expressão deixa claro é a manifestação de uma idéia pré concebida, que por esta razão costuma denotar um pensamento discriminatório, uma vez que faz julgamento antes de conhecer os fatos. Em meu texto sobre o Adam Lambert, que de acordo com a imprensa internacional poderia vir a ser o novo vocalista do Queen, não houve pré julgamento de nenhum tipo, portanto não há preconceito. Há sim uma certeza fundamentada de que um grande vocalista não se faz apenas por uma voz afinada, agudos e trejeitos ensaiados. Até porque eu vi e ouvi o tal Adam e apesar de ser um bom cantor, ele não tem nada além de milhares de outros bons cantores mundo afora. Obviamente que para ocupar o lugar de alguém com uma história riquíssima e características únicas é preciso no mínimo ter uma história compatível, ainda que não tão expressiva, mas ser um bom cantor apenas não basta. Se cantar bem for critério único para substituir um gênio como Freddie Mercury, então vamos sugerir ao Brian May a idéia de uma de nossas ouvintes e leitora, Luka. Em vez de colocar o emo Adam Lambert no Queen, ele poderia chamar a Susan Boyle, afinal ela canta muita mais! Hahaha... Susan Boyle no Queen já! Ela é britânica também, tem o mesmo estilo da rainha, hehehe... "I dreamed a dream in time gone byyyyyyyyy" ;O)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
25/05/2009
Como diluir a importância de uma obra
Muita polêmica causou a reunião dos remanescentes do Queen com o Paul Rodgers. Alguns gostaram, outros não, mas o fato é que Rodgers é um cara de respeito no Rock’n’Roll, sem dúvida um dos grandes vocalistas dos anos 70, seja com o grande Free ou o excelente Bad Company. Porém foi um projeto, desde o início ficou claro que era uma reunião comemorativa, Queen+Paul Rodgers, durou 4 anos, dois discos, sendo um ao vivo, um DVD, e duas turnês. Mas chegou ao fim.
P’ra mim a notícia da separação foi melhor que a união, não porque eu fosse contra, mas porque Paul Rodgers disse que vai reunir o Bad Company e sair em turnê. Já pensou ver um shows desses por aqui? Putz, sensacional!
Agora, lamentável mesmo é a nova idéia de Brian May, esta sim vai revoltar todo fã de Rock, sem exceção... Eu entendo que a é a obra dele e ele tem direito de fazer o que quiser com ela, tocar as suas músicas do jeito e com quem quiser... Mas, Mr. May está cogitando colocar um novato no lugar do eterno, saudoso e insubstituível Freddie Mercury!
Sim, caros amigos, o Queen se apresentou na final do programa American Idol (o Ídolos da gringolândia) e Brian se impressionou com o vice-campeão da edição, Adam Lambert, que cantou com o grupo, e cogitou a possibilidade de colocá-lo na banda! Acontece que Adam tem apenas 27 anos e um jeitinho de ‘emo’ que não convence ninguém, hehehe...
Veja a performance ao vivo e a franjinha do rapaz, cantando We Are The Champions ao lado do vencedor do programa Kris Allen, e do que restou do Queen;
http://www.youtube.com/watch?v=G6Jgx3vjK3E
Na boa, é forçar demais a barra, uma banda com a história e importância do Queen ter a frente um novato revelado por um ‘reality show’, ainda mais no lugar que um dia pertenceu a ninguém menos que Freddie Mercury. Falta de respeito.
Espero honestamente que ele mude de idéia...
Veja a opinião de Gene Simmons, baixista e vocalista do KISS, sobre o tal Adam, que também cantou no programa com a banda;
"Respeitosamente, eu não acredito que Adam seja um cantor de Rock... Ele soa muito mais convincente cantando baladas e músicas da Broadway. A voz dele simplesmente não parece ter uma 'qualidade para o Rock’”.
17/05/2009
Black Heaven & Sabbath Hell!!
É bem conhecida entre os fãs de Rock pesado a expressão 'santíssima trindade', em referência aos três maiores grupos dos anos 70, Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath! É comum o público se dividir entre os que preferem uma ou outra entre elas, apesar de gostar de todas. Como a maioria sempre gostei das três, mas por alguma razão que não sei explicar, desde o início foi o Sabbath que mais me impressionou, o som ultrapesado para a época, soturno, a temática obscura, a postura discreta mas impactante dos músicos, enigmáticos, assustadores, poderosos... Entre os fãs do Black Sabbath também é comum a divisão entre os que preferem a primeira fase, com Ozzy, e a segunda, com Dio. Eu prefiro a fase Ozzy, apesar de considerar Dio muito mais vocalista, tecnicamente falando, além de ter uma voz mais privilegiada. Felizmente já havia visto todos ao vivo, mais de uma vez, seja Black Sabbath (uma vez com Tony Martin), seja Ozzy solo ou Dio. Mas ter a honra de estar diante destes distintos senhores mais uma vez é sempre uma satisfação indescritível! É incrível ver e ouvir o genial Tony Iommi destilar seus riffs inigualáveis, ninguém consegue tirar tamanho peso e intensidade de uma velha Gibson como Mr. Iommi, sem precisar usar efeitos 'modernos', típícos de bandas de Heavy, Thrash, Death Metal. Tanto que é inegável que estes estilos só existem graças (principalmente) ao estilo de tocar do velho mestre, justamente o peso e intensidade que Iommi imprimi em suas músicas, desde os primórdios da banda no final da década de 60. Esta é uma das razões pela qual tantos como eu amam o Black Sabbath, porque mais que o Led e o Purple, que tem sua parcela na criação, Tony, Geezer e companhia criaram uma nova vertente dentro do Rock. É impossível ouvir qualquer coisa feita por eles e não identificar rapidamente, uma vez que seu estilo é único. E por falar em Geezer, se Iommi é a alma do grupo, Mr. Butler sempre foi o coração, além de ser responsável pelas letras, pela temática obscura que os deu fama, seu baixo forte e pulsante é o complemento perfeito aos riffs marcantes do amigo Tony. Não há baixista que não se impressione com o poder sonoro emanado das 4 cordas de Geezer, uma força que durante o show é quase hipnótica, Butler não para um segundo de maltratar o instrumento com os dedos, como uma britadeira, um motor em alta rotação, ele marca o tempo, o ritmo desta indústria barulhenta e acrescenta ainda mais peso às canções. Mas não posso esquecer que não estamos falando do Black Sabbath, mas do Heaven & Hell, apesar de ser praticamente a mesma coisa. Vinnie Appice, grande baterista que é mostrou toda sua qualidade técnica e experiência, afinal toca com os caras desde o início dos anos 80, sendo o dono das baquetas desta formação desde o clássico Mob Rules, de 82. Appice ainda acompanha Ronnie James Dio desde o início de sua carreira solo, em 83. E o que dizer do baixinho mais acapetado do Rock'n'Roll? Muito, afinal Dio vai completar em junho 67 anos! Portanto o feito deste senhor quase septuagenário se torna ainda mais impressionante. Ronnie continua com a voz potentíssima e a sua bela performance de palco que vai da garra à simpatia para com o público com uma naturalidade que só a experiência traz. Dio está na estrada deste 1957, quando começou a cantar em um grupo do mais básico Rock'n'Roll (antes dos Beatles!), e continua cantando e se apresentando com a mesma energia de quem está em início de carreira. A apresentação em si pecou por problemas técnicos que apesar de tudo não tiraram o brilho do show. Um belo palco com pilastras e correntes que era iluminado por cores diferentes, que hora focavam o cenário, hora os músicos, principalmente Dio que chegou a ficar cara-a-cara com o público, vermelho como um demônio, cantando com um voz assustadoramente grave. O 'setlist' foi curto, mas as versões ganharam corpo, clássicos como Children Of The Sea, Neon Knights, Time Machine, Die Young e Heaven And Hell levaram o público ao delírio, sendo que esta última se estendeu por cerca de 15 minutos de uma empolgante improvisação, com um longo solo de Iommi. Além delas mais algumas poucas canções antigas e três ótimas faixas do novo álbum, The Devil You Know. Um show para ficar nas mentes e corações dos verdadeiros amantes do Rock pesado, com os verdadeiros pais da criança, os donos do DNA do Heavy Metal!!! Setlist completo: E5150 (intro)/Mob Rules
Children of the Sea
I
Bible Black
Time Machine
Fear
Falling off the Edge of the World
Follow the Tears
Die Young
Heaven and Hell
Country Girl/Neon Knights (bis)
04/05/2009
E a Virada virou...
Um caos. Pelo menos foi o que se viu no palco Rock no sábado à noite, início da madrugada de domingo.
É verdade que a Virada é um sucesso e mais uma vez bateu recorde de público sem grandes incidentes ou problemas de organização, apesar da infra estrutura ainda ser falha em alguns aspectos.
Porém o que era um evento alternativo, com apresentações diferentes e público 'descolado', agora virou festa popular, diversão para as massas. Assim assistir a qualquer atração principal em um dos palcos grandes virou missão impossível, afinal muita gente está ali sem nem saber o que tá acontecendo ou quem são 'aqueles caras que estão cantando'.
A praça da República já não sustenta o público do Rock. O espaço em frente ao palco, sem obstáculos, logo fica lotado e as pessoas vão se espalhando por cima dos jardins, entre as árvores e se espremem para andar em meio às estreitas vielas que cortam os jardins. Sem contar que uma obra do metrô ocupa boa parte do exíguo espaço disponível para a circulação. No ano passado a coisa já beirava o insuportável, mas este ano passou de todos os limites, após o show do grupo Camisa de Vênus, já por volta das 02h da manhã, a aglomeração era tanta que não dava para se mexer, sem falar no empurra-empurra interminável. E eu não estou falando de quem estava perto do palco, não. A coisa era assim até o fundo e nas laterais, e sobre os jardins, e nos caminhos em volta... Era tanto aperto que qualquer briga ali no meio poderia resultar em tragédia, por sorte o público estava comportado, apesar de sempre ter uns otários que bebem além da conta e incomodam os demais, além daqueles que desconhecem o princípio básico da Física, de que dois corpos não podem ocupar um mesmo espaço!
Diante desta situação explosiva decidi me retirar, tarefa hercúlea, uma vez que o trânsito em torno da praça estava liberado e os carros se misturaram em meio à multidão, tornando-se assim enormes obstáculos imóveis a serem vencidos por quem era arrastado pela turba ensandecida... Ou seja, já passou da hora de a organização arrumar um espaço mais amplo que comporte tanta gente.
Também achei um erro o palco do Raul estar tão longe, uma vez que era destinado ao mesmo público, se estivesse mais perto os fãs iriam circular de um para outro, diminuindo assim a concentração em um só local. Os dois palcos poderiam ter as programações intercaladas, para que fosse possível acompanhar melhor os shows.
E já que estou falando dos pontos negativos, mais uma vez o problema dos banheiros se fez sentir, afinal o cheiro nos locais e dentro das cabines era terrível. Mesmo com o aumento expressivo da quantidade de cabines, ainda assim ficou muito aquém do necessário. O que também faltou novamente foram mais lixeiras, pois mesmo com boa vontade de não jogar lixo no chão, apesar de já estar forrado dele, não era possível encontrar local apropriado. Ok, eu sei que existem os estúpidos que destroem as lixeiras, então a solução talvez seja espalhar caçambas de aço e lixeiras de concreto. Fato é que se tem onde jogar, boa parte das pessoas usam, evitando assim as cenas lamentáveis que se via no domingo, e hoje, segunda-feira, onde alguns locais parecem ter passado por uma guerra.
Seria interessante, ainda que pouco prático, cercar as praças e jardins, pois é triste ver o estado em que estes locais ficam quando localizados próximos aos palcos. Adianta fazer uma grande festa e depois o resto do ano ver as praças sem plantas, destruídas? Ou a prefeitura vai gastar uma fortuna para refazer tudo? Então não adiantou nada economizar no orçamento da festa, porque o gasto vai vir de qualquer jeito...
E os shows?
Ah sim, cheguei cedo para ver o Jon Lord com a Orquestra Municipal e teria sido ótimo, não fosse o local/público inadequado para este tipo de som. Afinal por se tratar de um verdadeiro concerto erudito, as partes baixas ficavam inaudíveis onde eu consegui chegar sem empurrar os outros, como muitos fazem. Eu posso até ser um Rocker meio grosseiro e etc, mas tenho educação... Aliás, por falar nisto, se estas mesmas pessoas calassem a boca durante as músicas, teria sido interessante. Mas tem gente que vai para show para encontrar os amigos, então eles fazem uma rodinha, ficam fumando sem parar (as vezes é cigarro...), bebendo (qualquer porcaria desde que tenha álcool), e falando qualquer bobagem. Muitos sequer olham em direção ao palco... Ah, e teve os problemas técnicos também, imperdoáveis para uma apresentação como esta. A impressão que dava é que tinha algum cabo com mau contato, fazendo aqueles típicos ruídos horrorosos nas caixas... A apresentação foi ótima, claro, além da obra de 1969, tocaram outros três clássicos do Purple.
Da São João fui então ao palco Rock onde estava começando o Tutti-Frutti, o genial Luis Carlini e família apresentaram o clássico álbum Fruto Proibido, além de mais alguns sucessos da época da Rita Lee. Em um país com mais respeito a sua própria cultura, Carlini seria reverenciado, assim como outros grandes músicos do nosso Rock nos anos 60 e 70.
Isto vale também para Manito e seus companheiros de O Som Nosso de Cada Dia que brindaram a platéia com um progressivo de primeira linha, provando que não só Yes, Pink Floyd, Genesis e outros gringos podem ser chamados de gênios. Temos os nossos por aqui também, embora sejam ignorados por mídia e público. O descaso com a importância dos caras é tanto que várias matérias em jornais que citaram as principais atrações do Rock na Virada ignoraram completamente a banda, além de que o apresentador oficial do palco errou (!!!) o nome do grupo, mandou um patético ‘Pão Nosso’... Até quando vão insistir em colocar gente que não entende para apresentar os shows, hein? E o DJ que nunca acerta nas músicas e consegue irritar o público? É incrível, pode ser show pago, grátis, tanto faz, o cara do som tá sempre perdido. Quando não fazem uma seleção qualquer de ‘hits’ batidos e deixam rolando... Será que é pedir muito chamar alguém que faça um trabalho decente? Se precisar eu sei quem faz...
Na sequência o Joelho de Porco surpreendeu pela grande receptividade, muita gente sabia as letras e mesmo os mais jovens gostaram da pegada Rock’n’Roll das músicas e irreverência dos músicos.
Já o Camisa de Vênus optou por um show somente de grandes sucessos e arrebatou a multidão, que cantava cada refrão a plenos pulmões. Para mim foi um show monótono, depois de 20 anos acompanhando a banda não agüento mais matar a Beth, chamar a Silvia de piranha e coisas do gênero. Prefiro as letras mais inteligentes, tanto da banda, quanto solo do Marceleza. Acho que a formação em palco, com o Ivan Busic (batera do Dr. Sin) e o do já citado Carlini (guitarra, que já gravou um disco e excursionou com o Camisa), deve ter forçado a opção por este repertório mais manjado, devido à falta de ensaios. O show me pareceu muito improvisado, além de a qualidade técnica não estar boa, em alguns momentos mal se ouvia a voz.
Depois desta fui p’ra casa dormir, o aperto estava demais! Voltei no domingo à tarde e antes de voltar à República passei novamente na São João e lá estavam os Novos Baianos. Mesmo quem não é lá muito fã como eu, acaba se encantando com os solos de Pepeu Gomes. Para quem não sabe ele já foi destaque na conceituada Guitar Player americana e citado entre os melhores guitarristas do mundo!
Já no clima meio paz e amor, graças às palavras da figuraça Baby do Brasil, fui ver o Sitar Hendrix no palco Rock. O lugar estava vazio e parecendo ter sido bombardeado, tal a quantidade de entulhos espalhado por todos os lados, porém o clima era da mais pura viagem musical. Alberto Marsicano sentado no meio do palco tirou de sua cítara clássicos de Hendrix (incluindo a ‘inédita’ Cherokee Mist) a Black Sabbath, passando por Led, Cream e até Raul, acompanhado apenas de baixo e bateria. Para mim um dos melhores momentos de toda a Virada, poderia ter durado umas três horas, hehehe...
E p’ra fechar bem, fui para o palco Toca Raul, na Luz, ver Marcelo Nova acompanhado de Os Panteras, a banda original de Raulzito. Mais um show improvisado, porém com a emoção da lembrança e homenagem ao maior Rocker que este país já viu, Raul dos Santos Seixas! Valeu também a homenagem aos próprios membros da banda, afinal vale aqui novamente o que disse antes, em um país com mais memória, estes caras teriam outro valor! Neste aspecto a Virada tá de parabéns por resgatar a cada ano grandes figuras da nossa música, não apenas do Rock, revisitando grandes discos, relembrando momentos históricos da nossa cultura musical.
Enfim, terminada mais uma Virada acredito que o balanço é positivo e os acertos maiores que os erros. Mas é válido rever alguns pontos para melhorar. Acredito que enxugar um pouco o número de atrações, sincronizar e aproximar eventos afins, e separar os muito distintos para que não haja grandes aglomerações em um só lugar, como acontece no centro, seria um bom começo. Em matéria de estrutura também seria bom ter mais telões, pois com o mar de gente que se forma é impossível ver qualquer coisa nos palcos, sendo que a maioria nem telão tinha.
Um melhor entendimento entre os poderes públicos também facilitaria, fechar a estação República foi estupidez, o metrô seguindo somente até a estação Anhangabaú e desaguando milhares de pessoas ali transformou o lugar em um pandemônio. Grande bola fora. Assim como fazer o evento coincidindo com a final do campeonato paulista...
Tapando o Sol com a peneira
Um detalhe extra, a Virada traz milhares de pessoas ao centro e nos dá oportunidade de observar melhor esta importante região da cidade, principalmente por suas características arquitetônicas. Mas também escancara de vez os problemas sociais na região. P’ra mim não é novidade a quantidade assustadora de menores de idade que se aglomeram à noite nas calçadas das escuras e desertas ruas no quadrado formado pelas avenidas Ipiranga, São João, Duque de Caxias e Rio Branco. Passar ali após as 18h é assustador e arriscado. Esta região concentra o comércio de produtos para motociclistas e por diversas vezes vi ali assaltos em plena luz do dia, imagine o que ocorre à noite. Fato triste e lamentável é ver dezenas de jovens e adultos em estado de miséria, degredados, cheirando cola, fumando crack, enrolados em cobertores, jogados nas calçadas. Isto por si só já é muito espantoso, além de triste, o descaso do poder público para com uma parcela da população esquecida e entregue à própria desgraça.
Porém na madrugada deste domingo a situação era vexatória, pois além da população de rua costumeira, muitos freqüentadores da Virada se juntaram a eles para comprar e consumir drogas abertamente. Isto eu vi pessoalmente nas esquinas das ruas Guaianases e Aurora, a duas quadras de onde milhares esperavam para ver o próximo show no palco da São João.
O que me leva a refletir, até que ponto vale a pena fazer uma festa tão grande, mostrar o quão rica é nossa cidade a ponto de promover tamanho espetáculo, levar diversão gratuita a milhões de pessoas, mas deixar alguns poucos esquecidos, vivendo como ratos em um bueiro... Será que estes 5 milhões de reais empregados na Virada não poderiam fazer uma verdadeira ‘virada cultural’ na vida destas pessoas?
Dá o que pensar! Nem só de pão vive o Homem, nem só de circo também... Eu preferia que todos pudessem aproveitar a festa igualmente, ou ninguém...
01/05/2009
Virada Rock'n'Roll!
Rock'n'Roll em alta dosagem, é tudo o que a gente quer! E é isto que teremos em mais uma edição da Virada Cultural neste final de semana, em São Paulo.
Felizmente os organizadores deste evento sensacional tem bom gosto e conhecem de Rock, afinal nos anos anteriores já tivemos grandes atrações e novamente teremos muito Rock'n'Roll.
Se no ano passado tivemos Mutantes, Casa das Máquinas, O Terço, Terreno Baldio, Harppia, Paul D'ianno e diversos outros grupos no palco da praça da República, este ano teremos dois palcos dedicados exclusivamente ao estilo!

Palco Rock
O já tradicional palco na República vai abrir às 18h com um clássico executado por uma das mais importantes bandas do Rock brasileiro, Fruto Proibido, o disco de 1975, do Tutti-Frutti.
Na sequência, O Som Nosso de Cada Dia, que marcou época nos anos 70 com seu progressivo, volta à Virada, afinal no ano passado muitos não puderam assistir ao show que ocorreu no Teatro Municipal.
Continuando é a vez do escracho, bom humor e irreverência, com o Joelho de Porco, outra banda que marcou época nos anos 70/80.
A ironia continua solta com o Camisa de Vênus que sobe ao palco já no início da madrugada, após a meia-noite, desfilando seu Rock'n'Roll debochado.
E para manter alto o espírito cafajeste do Rock, ninguém melhor que A Banda das Velhas Virgens e seu repertório recheado com a mais explícita sacanagem.
Seguindo madrugada adentro é hora dos grupos alternativos, Los Goiales All Stars é uma sucesso da internet, paródias musicais de gosto duvidoso... Já o MQN é um dos principais representantes do chamado Indie Rock, há mais de 10 anos na estrada com muita pegada e distorção. Amanhecendo tem Matanza, depois Vanguart, CPM 22, Nação Zumbi e já na tarde do domingo é a vez do nosso apresentador, goleiro e cantor, Nasi!
O destaque final fica por conta do show intitulado Sitar Hendrix, onde o músico Alberto Marsciano vai executar clássicos do eterno guitarrista ao som de cítara. Marsciano foi discípulo de Ravi Shankar, lendário músico indiano que influênciou fortemente o Rock'n'Roll nos anos 60, desde o próprio Hendrix, até Beatles e dezenas de outros grupos, tendo participado de Woodstock e outros festivais. Pouco conhecido por aqui, o músico brasileiro é pioneiro no uso da cítara no país, reconhecido internacionalmente, já tendo sido indicano ao Grammy.
E para fechar com chave de ouro, Ike Willis vocalista e guitarrista que por mais de 15 anos tocou com o lendário Frank Zappa.
Toca Raul!!!
E se tudo isto já não fosse bom, outro palco terá 24 anos de Rock'n'Roll. Em homenagem aos 20 anos sem Raul Seixas, falecido em agosto de 89, o palco da Luz vai ter uma festa à altura da importância de Raulzito. Serão dezenas de shows e convidados executando na íntegra cada um dos discos lançados pelo eterno maluco beleza. A festa começa às 18h do sábado com Os Panteras, a banda original de Raul, passa Edy Star, Nasi, Alex Valenzi, Velhas Virgens, Marcelo Nova, entre outros, e termina com um jam session às 18h do domingo.

Oh Lord!
E não podemos esquecer que a abertura do evento, no palco São João, será feita por outra lenda do Rock, ninguém menos que Jon Lord, responsável pelos teclados clássicos do Deep Purple. Atualmente fora da banda, Lord vai apresentar sua obra intitulada 'Concerto for Group and Orchestra', gravada em 1969 com a The Royal Philharmonic Orchestra, acompanhado da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Simplesmente imperdível!!!

Então, amigos, nos vemos lá, circulando entre os palcos, tentando aproveitar ao máximo tantas atrações espetaculares.
Let's Rock'n'Roll!!!
26/04/2009
Lemmy Goes To The Pub
Bom humor é fundamental, além de saudável! Existem vários tipos de humor, rasteiro, sarcástico, escrachado, inteligente... Não fui eu quem inventou a brincadeira de chamar Lemmy de Deus. Assim como foi com Eric Clapton nos anos 60, quando simplesmente surgiram frases nos muros de Londres dizendo ‘Clapton Is God’, a alcunha divina ao ‘frontman’ do Motörhead surgiu espontaneamente ao longo dos anos e ganhou força nos últimos anos com citações na mídia. Agora, para quem ainda tem alguma dúvida a respeito, vem aí o documentário Lemmy: The Movie! Dá uma olhadinha em quem são os caras que estão dando depoimentos lisonjeiros sobre Lemmy; http://www.youtube.com/watch?v=cTKw2ssDr7w Ah, e preste atenção ao que aparece pichado em uma caixa de equipamentos vermelha, por volta de 01:22s do vídeo, hehehe... Diante disto só posso reafirmar o orgulho de ter sido fã deste cara desde sempre, desde a primeira vez que ouvi Motörhead, há muito tempo...
20/04/2009
Eu encontrei Deus!
Este é o relato de uma experiência mística, de arrebatamento, da qual sou testemunha fiel, assim como os amigos que estavam a minha volta e puderam presenciar este momento com seus próprios olhos.
"Eis que vi Deus cercado de luz e sua voz era alta e poderosa e o som que produzia era como o de mil trovões!!!
Diante de sua presença milhares se maravilhavam e louvavam seu nome, a emoção tomou conta de todos os presentes aos pés do monte de onde Ele proferiu suas palavras!
Ainda chocados com tal visão eis que eu e mais alguns escolhidos fomos encaminhados a uma câmara escura onde diante de nós lá estava Ele sentado ao centro, tendo a sua direita o espantoso senhor das cordas e a sua esquerda o poderoso destruidor de peles!
E diante deles todos entramos em êxtase e fui elevado a um lugar acima dos meros mortais, eu fui tocado por Deus! Depois deste dia nada mais será como antes em minha vida, eu fui abençoado!"
;O)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
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Ps. De perto as verrugas do Lemmy são ainda maiores, mais feias e nojentas, hahahaha...
Ps2. O show foi fantástico como sempre, ainda que tenha perdido um pouco o pique no meio devido a diversas músicas menos conhecidas do público tocadas em sequência. É verdade que muitos só se empolgaram mesmo com Ace Of Spades, o que mostra que parte do público que lotou a Via Funchal era de fãs novos, o que é bom. Porém quem curte mesmo agita em todas as músicas, ou em nenhuma, se descabelar só na hora da música mais conhecida me parece coisa de modista. Enfim...

Ps3. Os pontos altos do show, claro, foram as pauladas clássicas, Iron Fist, Stay Clean, Metropolis, Just 'Cos You Got The Power, Going To Brazil, Bomber e a matadora Overkill! Outras que também empolgaram foram Rock Out, Killed By Death e a acústica Whorehouse Blues. Sim, é isto mesmo, por incrível que pudesse parecer 10 anos atrás, nas últimas turnês eles tem apresentado este momento banquinho e violão! Mas com pegada, claro, Lemmy cantando de pé e tocando gaita em um Bluesão de arrepiar os pelos do... braço!
Ps4. Faltaram muitos clássicos, como sempre, afinal a banda tem muitos e não dá para tocar todos. Ainda assim o show teria sido mais agitado com pérolas como I'm So Bad (Baby I Don't Care), Dr. Rock, Love Me Like A Reptile, Eat The Rich, que estão entre minhas preferidas, além da indispensável R.A.M.O.N.E.S.!
Ps5. Justiça seja feita, enfim acertaram uma banda de abertura! A BARANGA foi a escolha perfeita, afinal tem tudo a ver com o Motörhead, seja na parte musical, como na temática das letras e postura dos músicos. Sem falar que os caras são veteranos da cena rocker paulista e estavam evidentemente felizes por estar ali, afinal nós sabemos como é difícil a vida das bandas no Brasil. O show deles é excelente, Rock'n'Roll em alta dosagem, sem frescura, com muita energia e bem tocado! Mais do que nunca, após três ótimos discos lançados, a Baranga se firma como uma das melhores e mais importantes bandas do Brasil e merece seu espaço na mídia, além de reconhecimento por parte do público.
Conheça: www.barangarock.com.br

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