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Blog Alexandre Gomes

13/08/2010

Quero somente o essencial


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.


Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade... Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena.


E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

postado às 10:26 por Alexandre Gomes

25/07/2010

Quem dita regra?

Puxa, esses dias não foram fáceis não é? Os telejornais usaram e abusaram da imagem de duas vitimas do machismo; Elisa Samudio e Mercia Nakashima. Sou formado em rádio/TV e estou finalizando bacharelado em jornalismo.

Na boa, não consigo engolir o que os grandes veículos de comunicação vem fazendo nas últimas décadas. De verdade! Parece que a televisão virou a referência para tudo. É a “dona da verdade”, esta acima do “bem e do mau”. E quer a real? Não esta!

A televisão dita hoje em quem votar, quem é culpado ou inocente, faz o papel do advogado do diabo. Tudo isso com interesses pessoais. Claro que para a maioria que esta lindo isso agora, é como chover no molhado. Mas não estou aqui detonando tudo o que ela representa. Sei que há a parcela de contribuição e até mesmo é a única forma de informação que chega a milhares e milhares de lares espalhados por esse Brasil de meu Deus.

Mas algumas coisas me deixam puto da vida. Posso parecer moralista, e acho que para certas coisas sou mesmo, sabe? Um moralista idiota. Não sei.

Vejo muitas vezes a televisão, com suas novelas, tentando empurrar goela abaixo alguma tendência. Não cola! Pra mim isso não cola. Vou usar dois assuntos que são mais próximos de mim pra chegar onde quero: tatuagens e roupas. Sim, tudo bastante superficial. Tatuagem, pra mim, é tiração de onda.

Sempre foi, sempre será! Acho bonito e claro, pra mostrar pros outros. É estranho como as pessoas ficam desesperadamente procurando significados pra tatuagens. Por que tatuagens necessariamente tem que significar alguma coisa, né? Juro que não entendo quem foi o imbecil que estabeleceu isso, mas tudo bem.

Me sinto bem indo em uma boate, bar, praia, festa mostrando a minha tatuagem. É adequado. Quando estou na rua, sei lá, fazendo compras, também. Nunca sofri discriminação por causa disso. Mas, por incrível que pareça, não me sinto bem mostrando minha tatuagem em: centros religiosos, alguns ambientes de trabalho, como as escolas que leciono prática de locução (aqui na Kiss é tranqüilo). E não me sinto pelo simples fato de que não vou a esses lugares pra tirar onda. Vou por motivos específicos e fim. Camiseta regata não é comigo. Ficar mostrando o sovaco é nojento! Bermudas, só quando estou em casa ou de férias no litoral. Fora isso, jeans e camiseta T-Shirt.

Com certeza vai ter gente defendendo criaturas que se vestem com microvestidos em universidades e que claro, “Brasil país do carnaval, como as pessoas podem ser tão moralistas? e mimimi…” … “por que o direito das mulheres serem sexualizadas e blablabla… mulher também pode ter desejo”… entre outras trilhões idiotices que li por aí, eu, em todo o meu moralismo, imbecilidade e machismo ainda acho que falta uma boa dose de BOM SENSO para muita gente nesse mundo.

Acho de uma sacanagem tão grande essas pessoas que acham que todo mundo tem que aceitar o que elas tem pra oferecer goela abaixo por que senão vão ser taxadas de moralistas/hipócritas/racistas/preconceituosas/fascistas e por ai vai.

Se for seguir esse pensamento, as ruas viraram passarela do samba? Um sambódromo? Sim! Quer dizer que posso andar peladão na rua de boas e todos terão que aceitar? Me tratar como igual? Tá escrito onde? Desde quando? Quem disse/ensinou/mostrou?

Outra coisa. Sei que isso vai gerar mais polemica, mas, não seria eu mesmo se não escrevesse. Já que estamos falando de aceitação. Juro pra você que não sou homofóbico, mas, acho que tudo que foge do comum, deveria ser velado. Falo isso pelo fato de ver homens e mulheres com seus parceiros a beijos calientes em metrô, ônibus e tantos outros lugares. A aceitação da sociedade, vai além de mostrar publicamente a sua preferência sexual, entende? Hoje conseguimos identificar um casal homossexual só de olhar. Então, como qualquer outro moralista, que tal um “pegar leve”, ainda mais quando há crianças que estão começando a entender um pouco desse nosso mundo tão louco. Mais uma vez, é a televisão tentando quebrar alguns tabus inquebráveis.

 

postado às 12:29 por Alexandre Gomes

06/07/2010

Amor meu grande Amor

Sabe, ninguem ama outra pessoa pelas qualidades. Sim. Porque se o critério de seleção fosse esse, os não fumantes, ricos, honestos e simpáticos teriam que criar um sistema de senha para selecionar, não é?

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro (no sentido figurado..rs), babar na gravata.


Mas isso não seria amor e sim paixão. Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? ai sim, sobra o amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo.


Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.


A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.


Casaram. Bacana! É um tal de "Te amo prá lá, te amo prá cá". Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.


Não sou casado e na real, nem sei se quero isso. Mas vivo isso na minha família. Minha irmã casou e separou, todos meus primos acima de 25 anos estão casados e vejo como a vida de cada um segue. Por isso, vai algumas dicas de um "observador nato".

É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta.


Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.


Um bom Amor aos que já têm!


Um bom encontro aos que procuram!


E felicidades a nós!!

postado às 11:55 por Alexandre Gomes

23/06/2010

Segunda chance

 

 

É engraçado como nós, seres humanos, mudamos de idéia rápido!
Em menos de algumas horas, o que foi falado, já não tem mais sentido! Perde-se ao vento.
No que podemos acreditar então? Nas palavras ditas na hora e em qualquer situaçao? ou nas palavras ditas olho á olho? São tantas perguntas sem respostas, que por mais dolorosas que sejam, sempre é bom saber a verdade!

Aprendi, a duras penas, que elas podem causar dores durante meses, anos, mas um dia cicatrizam. Isso serve tanto para o seu sofrimento que sentimos como para aqueles que provocamos. Todos tentamos fazer diferente, queremos, buscamos em fazer diferente e evitar sofrer ou provocar um sofrimento.Mas às vezes, são as coisas difíceis que nos ensinam mais, sabia?

Tenho certeza que para você que esta lendo isso agora, se tivesse mais uma chance, faria de um jeito diferente, não é? Para alguns, arrependimento é algo que nos ajuda a deixar nossos medos para trás e seguir para o futuro. Para outros, é algo que os permite voltar ao passado. Mas vale a pena voltar ao passado? Nem sempre estão nos esperando lá ou até mesmo fazem questão de não entender ou aceitar suas dúvidas. Somos mortais, cheio de medos e indecisões.

Hoje no auge do meus trinta e poucos anos, percebi que nos privamos de tantas coisas. Conhecer pessoas novas, se divertir, sair com os amigos e cair na pegação. Deixamos de fazer isso por um simles sentimento, mas nos privamos justamente porque esse sentimento é verdadeiro!

Quando estamos com uma pessoa em mente, temos certeza que encontramos nossa alma gêmea, mas e ela? Será que também encontrou? Por isso nunca se deixe prender por um amor cercado de indecisões, ele pode fazer com que você não perceba que a felicidade está bem longe dele!

postado às 07:38 por Alexandre Gomes

18/05/2010

Mais uma queda

Há tempos não escrevo nada. Sei lá o motivo. Falta de tempo, falta de inspiração, falta do que dizer... mas, essa semana, como tantas outras, aconteceu algo realmente impactante. O assassinato de um jovem motociclista por policiais militares.

 

Mais um? Sim, mais um. Só esse ano de 2010 foram 61 mortos pelos policiais militar e civil. Todos em situações muito semelhantes.

 

Sou um apaixonado por velocidade e por motos. Tive várias e de vários modelos e cilindradas. Acho que sou um cara sortudo, pois nunca sofri um acidente grave.

 

Claro que cai, diversas vezes, mas todas as quedas foram pouco traumáticas e com leves ferimentos. Mas, a minha sorte não esta relacionada somente as quedas, mas, as blitz das policias civil e militar.

 

Todas às vezes os policiais foram firmes, mas sem abuso de autoridade. Isso porque o problema não esta na instituição e sim no indivíduo despreparado, empolgado e se achando acima do bem e do mal.

 

Triste ver que o simples fato de não ter habilitação causou uma tragédia na família de todos os envolvidos. Isso mesmo! Não pense que somente a mãe do motoboy esta triste. Pais, esposas e filhos dos Pm´s estão com seus corações apertados.

 

Culpa deles (dos policiais)? Sim! Mas nem por isso deixemos de ver o outro lado dessa história. Quem dera eu pode dizer que aprenderemos com isso, quem me dera.

 

Será mais uma linha escrita no livro do descaso e do esquecimento.

 

 

 

postado às 13:05 por Alexandre Gomes

29/03/2010

Enfim, justiça!

Depois de quase dois anos, na ultima sexta-feira, foi feito justiça. Alexandre Nardoni e Ana Jabota foram condenados a 31 e 26 anos de prisão, respectivamente. Foi uma vitória para o judiciário, para Ana Oliveira, mãe de Izabela e também para a sociedade.

 

Mas uma coisa me frustra. Porque todo aquele povo manifestando em frente ao Fórum de Santana? Achavam que pressionando os jurados ou o juiz – como muitos acreditam – iriam ou iria condenar o casal. Que suas opiniões seriam atendidas e que de certa forma, eles, o povo, teria contribuído para o êxito na condenação.

 

Foi vergonhoso os gritos, as tentativas de agressões contra o advogado de defesa, chutes e tapas no caminhão que transportavam o casal e acima de tudo, os fogos! Comemoraram como se estivessem ganhando um campeonato de futebol. E não há nada para se comemorar nessa triste história.

 

Uma garotinha de 5 anos foi morta, uma mãe perdeu a sua filhinha linda, duas crianças estão órfãos de pais vivos (os dois filhos do casal condenado), as famílias envolvidas de Ana Oliveira, do Nardoni e da Jatobá .Perceberam? Olhem quantas coisas ruim existem em volta desse assassinato.

 

Não estou de forma alguma defendendo o casal. Acho que a condenação foi a mais justa possível e acredito que e´uma tragédia nosso código de execuções penais.  Eles devem cumprir no máximo mais dez anos de reclusão e saem pela porta da frente. Nossas leis são maravilhosas, mas, nosso sistema de execução é um lixo.

 

Estou é indignado ao ver até que ponto chegamos. Onde, nós homens sapiens, bípedes, pensadores, chegamos? Somos assassinos de nós mesmos, queremos e comemoramos o mau.

 

Assistindo as cenas pela televisão, vi mães com bebês de poucos meses nascido ali, plantada na frente do plenário, homens crucificados de mentirinha, pessoas carregando cartazes de “BASTA de IMPUNIDADE” e por ai vai. A sensação que me deu foi que era um circo e que os palhaços queriam aparecer. Não estavam ali para serem solidários com a família da vítima, mas, para os 5 segundos de fama ao serem focados por alguma câmera de qualquer emissora de televisão.

 

Esse juri popular foi um marco, realmente. Inclusive na bizarrice.

 

 

postado às 12:46 por Alexandre Gomes

21/03/2010

Trocando o troco

Ufa! Enfim estou finalizando minha faculdade de jornalismo. Não foi nada fácil. Não falo isso por conta da obrigatoriedade de assistir aulas, fazer resenha, vídeos, matérias, fotos e porque não, resenha como essa.

 

Li livros e mais livros de autores que nem imaginava que existiam. E olha que sempre gostei de ler, mas, na universidade aprendi que nunca sabemos o suficiente.

 

Já havia escrito em outra oportunidade dos autores que tenho afinidade; Luiz Fernando Veríssimo, Arnaldo Jabour, Vieira Fazenda e claro, o meu preferido, Mario Prata. A necessidade de ler muito, me fez conhecer melhor cada um desses cronistas e outros escritores que me ensinaram um pouco dessa profissão apaixonante.

 

Em uma das pesquisas para trabalho, li um livro que falava das mudanças nos nomes. Explico; Fim de semana por exemplo... agora todo mundo fala ou escreve “final de semana”. Mas o que tem de errado com o “fim de semana”? Nada! Mudaram apenas pra ficar bonitinho.

 

Mario Prata também fala isso em uma crônica que segue abaixo:

 

 

Outro dia fui comprar um abajur. A mocinha me olhou e perguntou:

- Luminária?

Eu olhei em volta, tinha uma porção de abajur. Não, abajur mesmo, eu disse.

- De teto?

Fiquei olhando meio pasmo para a vendedora, para o teto, para a rua. Ou eu estava muito velho ou ela estava muito nova. No meu tempo - e isso faz pouco tempo -, o abajur a gente punha no criado-mudo, na mesinha da sala. E lá em cima era lustre.

- Lustre?

Descobri que agora é tudo luminária. Passou por spot, virou luminária. Pra mim isso é pior que bandeirinha virar auxiliar de arbitragem e passe (no futebol) chamar-se - agora - assistência.

Quem são os idiotas que ficam o dia inteiro pensando nessas coisas? Mudar o nome das coisas? Por que eles não mudam o próprio nome? A mocinha-da-luminária, por exemplo, se chamava Mariclaire. Desconfio até que já tivesse mudado de nome. Pra que mudar o nome das coisas? Eu moro numa rua que se chama Rodovia Tertuliano de Brito Xavier. Sabe como se chamava antes?

Caminho do Rei. Pode? Pode. Coisa de vereador com michoca na cabeça e tio para homenagear. Mas lustres e abajur, gente, é demais.

Programação de televisão virou grade. Deve ser para prender o espectador mais desavisado. Entrega em domicílio virou delivery. Agenda de correio, mailing.

São os publicitários, os agentes de 'marquetingui'? Quer coisa mais bonita do que criado-mudo? Existe nome melhor para aquilo? Pois agora as lojas vendem mesa-de-apoio. Considerando-se a estratégica posição ao lado da cama, posso até imaginar para que tipo de apoio serve.

Antigamente virava-se santo. Agora vira-se beato, como se já não bastassem todas todo mundo tem em casa e que na intimidade é chamado de micro, nasceu com o nome de cérebro-eletrônico. Sabia dessa? E sabia que o primeiro computador, perdão cérebro-eletrônico, pesava 14 toneladas? E que, na inauguração do primeiro, os gênios da época diziam que até o final do século, se poderia fazer computadores de apenas uma tonelada?

E você sabe o que é dentifrício?

Outra palavrinha nova é stress. Pode ter certeza, minha jovem, que, antes de inventarem a palavra, quase ninguém tinha stress. Mais ou menos como a TPM.

Se a palavra está aí a gente tem de sofrer com ela, não é mesmo? No meu tempo o máximo que a gente ficava era de saco cheio. Estressado, só a turma do luau.

E agora me diga: por que é que em algumas casas existe jardim de inverno e não jardim de verão?

E, se você quiser mudar o nome desta crônica para lingüiça, pode. Desde que coloque o devido trema. Também conhecido como dois pinguinhos.

PS. Mais uma vez estou escrevendo a crônica antes do jogo contra a Bélgica.

Me lembro agora que em 1963, com aquele timaço bicampeão do mundo, perdemos deles de 5 a 1, em Bruxelas. Mas, dois anos depois, no Brasil, ganhamos de 5 a 0 com Pelé fazendo três.

 

(Mario Prata)

 

postado às 11:42 por Alexandre Gomes

12/03/2010

Puta que pariu!!!

Puta que pariu! Puta que pariu e PUTA QUE PARIU!!! Desculpe o meu desabafo acalorado, mas, é a única forma que encontrei para demonstrar tanta indignação. Mataram o Glauco Villas Boas! Quem poderia imaginar que estar dentro de casa, em um bairro bom, portões fechados e acima de tudo, tentando trazer um pouco de humor para nossas vidas cinzentas, seria morto por viciados. Para quem não ligou o nome a pessoa, Glauco é o cartunista criador do “Geraldão”. As tirinhas engraçadas que lemos nos jornais aos domingos. Sempre foi a primeira coisa que buscava nos impressos. Queria de certa forma dar uma aliviada na semana, muitas vezes, tensa e estressante. Nunca conheci o Glauco, nunca entrevistei, nunca escrevi para comentar as tirinhas, mas, de certa forma fazia parte do meu cotidiano. Houve uma época, antes de me apaixonar pelo rádio, que queria ser desenhista. Tinha um certo talento e varias vezes nos exercícios na oficina de desenhos que me inspirava nele. Hoje o mundo ficou mais cinza do que já é. Tiraram o sorriso das nossas caras. Sangraram uma pessoa iluminada, criativa, que buscava, fazendo aquilo que gosta, criticar nossos parlamentares e dar uma pitada de imaginação para quem lesse. Que mundo é esse? Que país estamos deixando para nossas futuras gerações? Quem terá coragem de realmente fazer algo pela sociedade? Puta que pariu! Puta que pariu e PUTA QUE PARIU! Mataram o Glauco!

postado às 13:24 por Alexandre Gomes

03/03/2010

Bem vindo ao Circo

Vou confessar uma coisa. Tento de verdade acreditar que esse mundo terá jeito, tento mesmo! Mas, me sinto tão idiota, tão infantil, tão utópico. E olha que sou meio “São Tomé”, só acredito quando vejo com meus próprios olhos. Fiquei imaginando como será nosso país daqui a 10, 20, 30 anos. Quantas pessoas “do bem” terão deixado seu legado para trás sem ao menos colher os frutos dos seus esforços.

Me enviaram um e-mail com um poema atualíssimo! E claro, divido com você.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Gandhi esta morto...

Lennon, Luther King, Chico Mendes
O estudante chinês na Praça da Paz Celestial...
Vozes clamando reforma agrária, sindicalistas e militantes tantos
Denunciando holdings, corrupção e desmatamento
Nações indígenas dizimadas
Incontáveis desaparecidos na calada da noite
Nos porões da ditadura militar em tempos idos
Na Amazônia covas de indigentes
Sem vestígios sepultam a Guerrilha do Araguaia
Geraldo Vandré sem paradeiro esquecido
Em boatos louco, desterrado, inválido
O Papa sofrendo atentado
Outrora apóstolos perseguidos, martirizados
Cristãos nas arenas romanas
Sócrates bebendo cicuta...
Jesus Cristo, quanta gente!


Valores invertidos
O mundo de pernas pro alto
Eu pregando sozinho na praça
Alardeando ao som do bumbo
Armando meu circo
No picadeiro berrando
Nas arquibancadas
Gatos pingados, desocupados
Jogando pipocas prum macaco...


As pessoas têm me decepcionado...
Não se importam com nada
Usam máscaras e dissimulam
No entanto não representam personagem algum
Sendo elas mesmas, estão mais fantasiadas que o pierrô e a colombina
O Arlequim com bandolim
O palhaço trapezista


Na bolsa
Carregam uma escopeta...


Nesse circo do dia a dia
Os animais enjaulados
Somos nós
Famintos, ferozes
Traiçoeiros
Amestrados


Exóticos, causamos estranheza
Se nos encaramos no espelho
O que se dirá aos outros?
A curiosidade atrai
Público ao nosso circo
Espanto e perplexidade
Olhos esbugalhados mirando
Boquiabertos
Nossos atos...


A platéia ri de nós
Comendo algodão doce
Estourando balão de gás
Atirando pipoca


Nosso show:
Querer mudar os fatos
Dum mundo
Para eles abstrato...
Tão abstrato


Quanto o sangue derramado
De tantos mártires
Homens de paz
Ou de tantas criaturas
Que nem podemos mais chamar de gente
Dormindo debaixo de marquises ou pontes
Aos maltrapilhos, imundos
Comendo restos de lixo
Disputados com ratos
Geram crianças


Que diria-se a esperança do mundo
O riso, o sonho e a pureza
O encanto de nossa poesia
À beira de esgotos
Futuros mendigos graduados
Como pedintes no trânsito
Aliciados pelo tráfico
São números para os matemáticos
Do Estado burocrático
O Décimo Quarto DPO chaciná-los
É mais fácil...


Basta uma ordem
Vindo da alcova do Poder
Engendrado pelo Diabo
Ninguém se importará com nada
Eram problemas para a sociedade
Drogados, usuários de cola de sapateiro
Vendedores de craque, maconha e cocaína
Trombadinhas, mal elementos
Mantidos ao custo do vício
Dos estudantes da Pontifícia Universidade Católica
Sócios do Golf Club
Que passam férias na Disney
Vestem Giorgio Armani
Andam de BMW
Moradores dos condomínios
Da Gávea, Barra
Ipanema, Leblon...
Que almoçam no Plataforma I
Jantam no Porcão
Filhos burgueses da Besta:
Os Senhores do Poder
Que deram a ordem de extermínio...


Essas coisas, caros irmãos mambembes
Não causam espanto
Perplexidade, estranheza
À platéia que vêm ao nosso circo
Tão somente o que os atrai
Ao espetáculo
É ver-nos e rirem de nós
Os Don Quixotes da nova era
Tentando mudar os fatos
Dum mundo abstrato
Banalizado
Enquanto a lona incendeia...
E onde o concreto
É o dinheiro
Que podem ter no bolso
Status e ego inflamado
Ser melhor que o outro
Mais esperto
De resto...
Nada...

O circo já pegou fogo!

 

(Rob Azevedo)

 

postado às 11:28 por Alexandre Gomes

08/02/2010

Que País é Esse?

A impunidade no Brasil é como uma doença crônica, sem cura e até mesmo sem vacina. Sei que é um assunto muito debatido em protestos, porém nunca resolvida. Muitos fazem crítica a este erro inaceitável do poder público, mas parece que estamos longe de alcançarmos o direito de vermos punidos aqueles que assolam a sociedade.

A Human Rights Watch, uma organização de defesa dos direitos humanos, criticou duramente os atos impunes na justiça brasileira. Segundo a ONG, os abusos aos direitos humanos no Brasil são significativos, pois no país há muita impunidade e há ainda a falta de acesso à Justiça. Afirmou ainda que os policiais são muito corruptos e que as condições das prisões brasileiras são muito ruins. Primeiro, discordo que os policiais são corruptos.

Não se pode julgar a corporação por uma dúzia de má policiais. Segundo, prisões são chamadas de “penitenciárias”. Isto é, para ser penitenciado, cumprir penitencia ou para ser mais claro, ser punido. O marginal não esta em colônia de férias! O que me deixa indignado é a defesa quase que paternal das pessoas que se dizem a favor dos direitos humanos. E o direto à vida das vítimas desses marginais?

Estou escrevendo tudo isso porque ontem perdi mais ainda minha fé nessa instituição. Perdi a fé nas leis que regem esse país. Perdi a fé nos homens que governam essa nação. Assistindo o telejornal, vi que a luta de uma mãe, pobre, analfabeta e catadora de papel e latinhas nas ruas de Recife no estado de Pernambuco para sustentar a família, foi em vão.

Maria Luiza do Nascimento, comemorou muito quando soube que seu filho, Alcides do Nascimento Lins, havia passado em Biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco em 2007. Algo que foi documentado com matérias em vários telejornais e orgulho pela forma de inclusão social. Alcides se tornou “garoto propaganda” do governo pernambucano e seu rosto ficou conhecido em outdoors espalhados pela cidade.

Acontece que no último sábado (6), o jovem estudante, que se formaria esse ano, foi morto com dois tiros na cabeça. Os marginais estavam procurando um outro individuo, como não encontraram, para não perder a “viagem”, resolveram executar Lins por puro prazer. E sabe o que é mais doloroso? Não vão achar os criminosos, não estão nem ai para quem era Lins ou para quem é Dona Maria Luiza. Cairá no esquecimento e se tornará estatística da criminalidade.

O caso é que a Justiça brasileira é cega até demais! Cega, surda, muda e acima de tudo, burra ! Parece que ninguém é punido. As prisões vivem lotadas e quem comanda dentro das cadeias são os bandidos. Trabalhadores, que lutam sol a sol, dia a dia, não tem condições de ter um aparelho de celular porque sua prioridade é colocar comida na mesa e vestir suas crianças.

Os governantes deveriam olhar para baixo já que esse ano é eleitoral. Chegou mais uma oportunidade de dizer “BASTA”. Chegou nossa hora de dar o troco e mostrar de quem é esse país. Não votem naqueles que não cumpriram suas promessas, não votem em quem tem acima de dois mandatos e não fizeram absolutamente nada e acima de tudo, não votem naqueles que tem pendências com a justiça. Não elejam criminosos. Vamos fazer a faxina de cima para baixo!

Fica aqui minha indignação à morte de Alcides do Nascimento Lins. Brasileiro, batalhador, guerreiro e acima de tudo... gente! Mas que cairá no esquecimento em poucas semanas.

 

 

postado às 13:30 por Alexandre Gomes

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