Primavera Sound São Paulo proporciona diversidade musical e agrada fãs de todas as idades e gostos musicais.

Texto: Rafael Adami @hafadami

Fotos: Rogério Talarico @rogeriotalarico

 

Shows para todos os gostos, todas as tribos.

Se utilizarmos apenas uma palavra para definir o Primavera Sound, sem dúvida a palavra é diversidade.

De Bad Religion à Marina Sena, passando por The Cure, The Hives, Marisa Monte e The Killers.

No primeiro dia, os suecos do The Hives contagiaram o ainda pequeno público presente no autódromo. As clássicas Hate to Say I told you So e Main Offender não puderam faltar no setlist. Destaque para seus técnicos de palco trajados de ninjas.

Cinco minutos após o término do show do The Hives, foi possível ouvir as batidas eletrônicas do Cansei de Ser Sexy, banda paulistana, ausente dos palcos há 4 anos. Som eletrônico com vertentes de rock alternativo bem executado. A carismática vocalista LoveFoxxx, que chegou a trocar seu figurino no palco, conseguiu se conectar com a platéia em vários momentos. Um show no mínimo divertido, mesmo para quem não acompanhou a época em que a banda fez grande sucesso do Brasil e exterior.

A seguir, a diva da MPB Marisa Monte fez seu impecável show com vários sucessos, e ainda contou com a participação especial do guitarrista Roberto de Carvalho em homenagem à Rita Lee.

Pontualmente às 19:50, foi a vez dos britânicos do Pet Shop Boys resgatarem boas lembranças de grande parte do público 40+ alí presente. Era quase impossível visualizar alguém parado na platéia durante hits como Domino Dancing, It’s a Sin e West and Girls.

No meio do show do Pet Shop Boys, já era bem complicado rumar em direção ao outro palco. Motivo? “Um tal” de The Killers estava prestes a iniciar o último show da noite.

E quem abdicou das últimas músicas do Pet Shop, para ficar bem posicionado na pista do palco principal, foi recompensado com o hit Mr. Brightside abrindo o show.

O vocalista Brandon Flowers, com seu tradicional paletó roxo, sabe como poucos conduzir um show headliner. Dentre os inúmeros hits, destaque para Spaceman, Somebody Told Me e When You Were Young. Repetindo a dose do último Lolla, For Reasons Unknown também foi conduzida na bateria por um fã, que enfrentou o desafio com muita personalidade. Em resumo, o show do The Killers é capaz de convencer até os roqueiros mais pragmáticos de que seu sucesso não veio por acaso.

No segundo dia, com um público notoriamente de mais idade e vestidos com cores menos chamativas, o rock começou a dar as caras com a apresentação do Beck. O californiano alegou problemas de saúde ao cancelar seu show no dia anterior no Rio de Janeiro. Saúde reestabelecida, era hora de apresentar seu tradicional show eclético e alternativo. Clássicos como E-Bow, Devil’s Haircut e Loser animaram o ainda não tão grande público presente.

Ao cair da noite, chegou a vez dos também californianos do Bad Religion incendiarem o público com seus clássicos Punk Rock Song, Infected, American Jesus, 21st Century boy entre outros. Trabalho extra para os seguranças, que pela primeira e única vez no festival, tiveram que lidar com as tradicionais rodas e moshes.

20h20: faltando 5 minutos para começar o show mais esperado do festival, era praticamente impossível encontrar um lugar confortável para ver o show do The Cure. Sons de chuva vindo do palco davam indícios que o show começaria (e começou) sem atrasos.

Dez anos após sua última passagem pelo Brasil, o Cure mais uma vez entregou o que sua legião de fãs esperava. Um show longo e recheado de hits. Robert Smith é realmente um dos personagens mais enigmáticos e carismáticos do rock. Era possível ver na platéia várias pessoas com camisetas do Iron Maiden, Slayer e Megadeth cantando emocionados hits como In Between days, Pictures of You e Just Like Heaven. Afinal o rock n’roll é sobre isso! Mais do que um gênero musical, um estilo de vida.

Facilities:

Banheiros: mais limpos que na maioria dos festivais, aguentaram razoavelmente bem as mais de 100 mil pessoas por dia. Nota 7/10

Bares: Pouquíssimas filas, bem posicionados. Atendentes prestativos e em grande parte simpáticos. Preço alto, porém padrão de festivais do mesmo porte. Nota 9/10

Pulseira para consumo: Funcionou bem, vários pontos de recarga e de atendimento. Nota 9/10

Barraca do Merch: Ficou devendo. Apenas um ponto de venda. No início do segundo dia, grande parte do estoque já estava esgotado. Nota 2/10

Transporte público: O trem funcionou, tanto o expresso como o normal. O trajeto a pé da estação para o autódromo é cansativo, porém nada que os organizadores pudessem fazer a respeito. O trecho contava com isolamento do trânsito e com a presença de policiais para garantir a segurança dos ali presentes em todo percurso. Nota 8/10

Hidratação: pontos de abastecimento e distribuição de copos d’água para os fãs mais próximos do palco. Nota 9/10