Texto por Otávio Juliano – Instagram @showsbyotavio

Se a organização do festival Best Of Blues and Rock já havia inovado na edição de 2023, ao levar à capital paulista o formato de três dias seguidos de shows, para 2024 não foi diferente.

Dessa vez a décima primeira edição foi dividida em seis datas, passando por quatro cidades diferentes, novamente com ingressos pagos, assim como já havia acontecido no último ano. Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte foram os destinos escolhidos para as apresentações das atrações internacionais e nacionais do evento.

A equipe da rádio pôde acompanhar os shows internacionais do último sábado, em São Paulo. Eric Gales, Joe Bonamassa e Zakk Sabbath se juntaram aos brasileiros do CPM 22 e Di Ferrero (NX Zero), para levar muita música ao público presente, com agenda cheia de apresentações, que se estenderam pela tarde de sábado e foram até a noite.

Assim como em 2023, um espaço dedicado ao festival foi montado na plateia externa do auditório Ibirapuera, proporcionando conforto às pessoas e à sempre linda paisagem arborizada do parque ao fundo. Como é tradição, imagens ao vivo dos shows foram projetadas nas paredes auditório, tornando tudo ainda mais bonito de se ver.

O guitarrista americano Eric Gales subiu ao palco às 17hs, trazendo uma verdadeira aula de simpatia, carisma e humildade. Na parte musical, Eric igualmente entregou uma apresentação marcante e muito bem executada.

Ao lado de sua banda, composta por guitarra, baixo, bateria e percussão, assumida por sua esposa LaDonna Gales, o bluesman americano, que começou a tocar quando ainda criança e lançou seu primeiro disco ainda adolescente, soou muito bem e trouxe um repertório preciso e cheio de improvisos, deixando aflorar inclusive sua veia mais Rock n` Roll em alguns momentos.

Nascido no “berço” do Blues, em Memphis (Tennessee), foi na adolescência que Gales conheceu Stevie Ray Vaughan, seu maior ídolo e uma das referências mundiais do gênero, como ele mesmo lembrou na entrevista coletiva antes da apresentação. Inspirado por Vaughan, Eric já lançou dezenove álbuns, colocando sua capacidade criativa sempre à prova.

Do mais recente, “Crown” (2022), o guitarrista trouxe para o público de São Paulo “Put That Black” e a cadenciada e ótima “Too Close To The Fire”. Ainda fez uma jam em homenagem à capoeira, antes de tocar “Steep Climb”, que originalmente tem participação de Zakk Wylde, trazendo também trechos de clássicos do Rock como “Kashmir” (Led Zeppelin) e “Back in Black” (AC/DC), durante a execução de sua versão de “Voodoo Child (Slight Return)” (Jimi Hendrix), totalizando uma hora de show.

Joe Bonamassa

Se Bonamassa pareceu mais tímido na entrevista coletiva que precedeu as apresentações dos artistas internacionais do festival, é em cima do palco que o guitarrista mostra seu lado showman. Com seu instrumento em mãos, Joe atrai olhares fixos da plateia e esbanja habilidade.

Vestido elegantemente de terno, camisa e óculos escuros, Bonamassa tomou conta do Best of Blues and Rock por cerca de noventa minutos, com um set list mesclado de músicas autorais e versões de outros artistas.

Enquanto Eric Gales teve a seu favor um lindo pôr-do-Sol durante a apresentação, Joe acabou se beneficiando do horário de sua entrada em cena, quando já havia anoitecido e as luzes coloridas iluminavam e embelezavam ainda mais o espetáculo.

Bonamassa explorou os dois lados do palco e se movimentou bastante, tocando por vezes um pouco mais próximo do público, retornando ao centro para cantar as canções. Acompanhado de uma entrosada banda, com destaque para o tecladista Reese Wynans, uma lenda vida do Blues, integrante do “Rock and Roll Hall of Fame” desde 2015, por seu trabalho ao lado da banda Double Trouble, com o já citado Stevie Ray Vaughan.

O guitarrista pouco conversou com a plateia, parando apenas para apresentar os músicos que o acompanham. Com apoio de duas talentosas backing vocals, que o suportaram muito bem, especialmente em músicas como “Hope You Realize It (Goodbye Again)” e “Love Ain’t a Love Song”. Muito versátil, Joe “passeou” por faixas com pegada mais Blues, mas não deixou de lado sua influência do Funk americano e, é claro, do Rock.

Dos covers, o destaque vai para “I Feel Like Breakin’ Up Someone’s Home Tonight” (Ann Peebles), além de “Just Got Paid” (ZZ Top), com direito a pequeno trecho de “Dazed and Confused” (Led Zeppelin), solo de bateria e improvisos.

 

 

Zakk Sabbath

Velho conhecido do festival, Zakk Wylde foi novamente convidado ao evento, mas dessa vez para trazer seu projeto criado em homenagem à banda Black Sabbath. Com o sugestivo nome de Zakk Sabbath, o tributo ganhou corpo a partir de 2014, ano de sua criação, e hoje já conta álbuns lançados e turnês.

Ao lado do baixista John DeServio (seu colega de Black Label Society) e do baterista Joey Castillo (ex-Queens of the Stone Age), Wylde trouxe a São Paulo um show que não privilegiou tanto os clássicos do Black Sabbath, deixando de fora canções como “Iron Man” e “Paranoid”.

A opção de Zakk foi mesmo por canções “lado B” em diversos momentos do show, como “Under the Sun”, “Wicked World” e “Lord of This World”, contando ainda com momentos mais extensos de solos de guitarra.

A maior interação por parte do público ficou mesmo por conta de “Snowblind”, a clássica “Children of the Grave”, com direito a bolas infláveis jogadas à plateia na pista, e a dobradinha final “N.I.B” e “War Pigs”, para êxtase geral.

Zakk falou diversas vezes com os fãs e foi correspondido de imediato, com gritos e palmas, afinal um projeto que presta tributo à banda que é considerada a inventora do Heavy Metal, feito com tamanha qualidade, merece ser mesmo enaltecido, especialmente quando encabeçado pelo guitarrista que outrora foi revelado por Ozzy Osbourne, justamente o vocalista dos primórdios do Black Sabbath.

Por volta de 22hs Zakk se despediu do público paulistano, encerrando assim mais uma ótima edição do Best of Blues and Rock. Fica agora a expectativa para os artistas que virão em 2025.

Agradecimentos a FleishmanHillard Brasil (Rubia Roveron) e Dançar Marketing pela atenção e credenciamento da equipe da rádio. Fotos gentilmente cedidas pela produção – por André Velozo.

Fonte: Redação Kiss FM